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Todas as coisas me são lícitas…

Foto: unsplash.com

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“Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem, a fim de edificá-lo” (Romanos 15.2).

Abrir mão. Em outras palavras, é sobre isso que esse trecho bíblico aborda. O autor de Romanos, o apóstolo Paulo, diz, no capítulo anterior, que não devemos ser “pedra de tropeço” ou “obstáculo” na vida dos nossos irmãos (Rm 14.13). Para cumprir esse propósito, pode ser que tenhamos que deixar os nossos próprios interesses ou vontades de lado, a fim de não escandalizar o outro e, assim, edificá-lo.

Para explicar a afirmativa, Paulo usa a comida. “Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência” (Rm 14.15,16).

Podemos trazer essa verdade para o contexto atual do cristianismo no Brasil. Em nosso país, culturalmente um cristão não é associado, por exemplo, à bebida alcoólica. A Bíblia não diz, contudo, que é pecado beber; diz que é pecado embriagar-se (Gl 5.21). No entanto, o raciocínio trazido por meio de Paulo mostra que, dependendo da forma ou de como é feita, até mesmo uma permissão pode torna-se pecado, se ela prejudica o próximo.

Isso nos leva a entender que alguém pode desacreditar da fé em Jesus devido à conduta daqueles que dizem andar no caminho do Senhor. Há atitudes que, mesmo não “tendo nada a ver”, são como pedras de tropeço para outras pessoas, portanto, uma maldição. Em suma, “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm” (1 Co 6.12). Tenha isso em mente e faça uma autoavaliação para descobrir se há alguma prática em você que não convém.

Para Deus, o conveniente é sermos instrumentos de edificação para o próximo. Conforme o dicionário português, “edificar”, entre outras coisas, significa “sentimentos de piedade, de virtudes que se inspiram com o exemplo” e “induzir ao bem e à virtude”. É para essa vida que o Senhor nos chamou, e é sobre isso que Paulo trata em Romanos 15.2. Não fomos chamados apenas para o nosso bel-prazer. Fomos chamados também para dar suporte uns aos outros e, assim, cumprir a lei de Cristo (Gl 6.2). A lei de Cristo é amar, e sabe como Ele amou? Não buscando agradar a Si mesmo (Rm 15.3), mas vindo “servir e dar Sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). Pois servir implica, muitas vezes, em abrir mão dos nossos interesses para agradar e, consequentemente, edificar o nosso irmão. Essa é uma forma de amar e dar a nossa vida para que outros sejam resgatados para o Senhor Jesus.

:: Thais Oliveira