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Uma Retaguarda Equilibrada

Uma Retaguarda Equilibrada

Nossa experiência missionária não é grande, porém nestes dois anos de América do Sul e cinco anos em Espanha, uma coisa temos absoluta certeza, não podemos fazer missões de maneira efetiva, sem uma retaguarda equilibrada, material e espiritual.

1. Retaguarda Financeira

É evidente que no mundo em que vivemos, é impossível viver sem os recursos financeiros, especialmente em outros países onde na maioria das vezes o missionário está sozinho, longe de amigos, familiares e sua própria Igreja. A distância por si só, já é um grande motivo para instabilidade e isto somado à falta de sustento financeiro (onde dificilmente o missionário pode recorrer a amigos, familiares ou mesmo banco) é um fator de grande stress e depressão, constituindo-se em uma “brecha” por onde o inimigo tem entrado e muitos missionários têm sofrido, seus campos de atuação sofrem por conseqüência, e muitos chegam a retornar decepcionados e a maioria derrotados para nunca mais voltar ao campo.
Por outro lado, se o sustento financeiro é adequado e constante, é um motivo de tranqüilidade e também bom testemunho diante daqueles com quem estamos trabalhando. O missionário pode desta forma, desenvolver o seu trabalho com total atenção, livre daquele peso terrível da incerteza do dia-a-dia.
Alguns mais espirituais poderiam dizer: mas onde está a confiança em Deus? Porém, não se pode justificar a confiança de alguns através da falta de visão e mesmo irresponsabilidade de outros. O missionário por excelência, Apóstolo Paulo, deixa registrado na carta aos Filipenses sua gratidão pela retaguarda daqueles irmãos a seu favor:

“Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Filipenses 4:18).

O Apóstolo reconhece e agradece pelo amor demonstrado de forma visível e palpável daqueles irmãos, que o apoiavam reconhecendo seu ministério e desta maneira ele podia seguir adiante na pregação do evangelho de Jesus. Cremos por evidência bíblica que não existe missionário autônomo, ou seja, não se pode nem se deve fazer missões por própria conta, pois é um imperativo dado a Igreja. Por isso, fazer missões não é uma aventura, mas um fator de muita responsabilidade das duas partes, do missionário que vai e da retaguarda que fica; os dois estão fazendo missões.

2. Retaguarda Espiritual

Muitos, felizmente levam muito a sério a retaguarda material, não deixando com que seus missionários tenham falta de nada no que se refere a sustento financeiro, comunicação, carinho, etc. Porém descuidam da retaguarda espiritual. Alguns poderiam dizer: mas isto é querer demais!! A verdade é que nossa necessidade não é somente material, mas também espiritual. O missionário, como todo crente, está encarregado da missão de levar o conhecimento do Reino de Deus a este mundo – como disse o Apóstolo Paulo: “Para lhes abrir os olhos e converte-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus…” (Atos 26:18b).

De nenhuma maneira conseguimos fazer isto somente com uma boa retaguarda financeira, porque nosso inimigo não troca os seus valiosos bens, que são as vidas de milhões de pessoas, por nenhum dinheiro do mundo. Jesus disse:“Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa” (Marcos 3:27).

Esta realidade envolve uma tremenda luta espiritual, na qual estamos todos envolvidos especialmente os que estão na linha de frente, tirando pessoas das garras de Satanás, que não está nada contente com estas investidas missionárias, e de todas as maneiras vai tentar impedir o seu avanço. O Apóstolo Paulo depois de ensinar os crentes de Éfeso quanto à luta espiritual e também como usar as armas nesta batalha, conclui que as armas devem ser postas com “com toda oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para com intrepidez fazer conhecido o ministério do evangelho, pelo qual sou embaixador… (Efésios 6:18-20).

Portanto as armas devem ser usadas com oração e suplica. O interessante, é que a luta não é somente para auto defesa, e sim também de ataque em direção a proclamação do evangelho. O Apóstolo se coloca como alguém que necessita da retaguarda espiritual da Igreja de Efeso. Em outras palavras, ele está dizendo que a ousadia, intrepidez viria em conseqüência da retaguarda espiritual, ou seja das orações do povo de Deus. Ousamos dizer que: somente cuidar da retaguarda material ou somente da espiritual, seria como estar andando com uma perna só.
Se conseguirmos chegar ao equilíbrio nestas duas áreas, poderemos desenvolver muito mais eficazmente e eficientemente a tarefa de fazer o evangelho do Senhor Jesus conhecido em todas as nações.

Conclusão: Queridos, gostaríamos de contar com a retaguarda da amada Igreja e que através de nossas vidas pudessem cumprir a ordem de Jesus de levar o evangelho até os confins da terra. Temos consciência de que não podemos fazer sozinhos, por isso necessitamos que tenham a visão desta luta espiritual e nos sustentem, para com “intrepidez fazer conhecido o mistério do evangelho”. Se o Apóstolo Paulo necessitava desta retaguarda, estamos plenamente conscientes que também necessitamos, e cremos que este é o caminho correto.

Vamos fazer missões juntos?

Rev Elnatan – Espanha
APTM