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O jejum

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Foto: unsplash.com

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Texto base: Mateus 6.16-18

Um dos aspectos constantes da vida cristã é a luta entre a carne e o espírito. O controle sobre os desejos carnais é um dos nossos principais desafios. Como podemos dominar nossos impulsos e inclinações?

Assim como a força do nosso corpo pode ser maximizada através de exercícios, o mesmo acontece com o nosso espírito. Nesse contexto, entra o significado e o propósito do jejum. O corpo é dominado para que o espírito se fortaleça.

Jejum é a abstinência proposital de alimentos durante algumas horas ou dias. O jejum pode ser total, ou seja, nada será comido nem bebido. Nesse caso é aconselhável que não dure mais do que 24 horas. O jejum pode ser parcial, quando não se come, mas bebe-se água. Pode durar algumas horas ou até três dias. Pode ser também específico, quando a pessoa escolhe um tipo de alimento que será evitado (doces, refrigerantes, carne, etc). Este pode durar muitos dias, como foi o caso de Daniel (Dn 10.3). Lembrando que jejum de comidas que você não gosta não vale.

Trata-se de um exercício de controle do espírito sobre o corpo. Se comer (na medida certa) não é pecado, por que deveríamos renunciar a isso de vez em quando? Controlando os desejos pelo que é permitido e bom, estaremos treinando para controlar o mal e o pecado.

Por outro lado, se não conseguimos controlar nosso apetite pelo alimento, talvez não consigamos em outras áreas também.

Antes de vencer Satanás no deserto, Jesus venceu Seu próprio corpo, jejuando durante 40 dias e 40 noites (Mt 4.1-4). Se alguém é vencido por um prato de macarrão, não deve esperar vitória sobre o Diabo.

Certa vez, os discípulos não conseguiram expulsar um espírito maligno. Então, o Mestre lhes disse que aquela classe de demônios só poderia ser expulsa com jejum e oração (Mt 17.21). Portanto o jejum é uma forma pela qual podemos interferir no mundo espiritual. É um tipo de preparação espiritual para um desafio, uma forma de suplicar o favor divino. É o que vemos no jejum de Ester (4.16) e de Esdras (8.21). Portanto é aconselhável que seja realizado antes de importantes decisões ou ações.

O jejum não é uma espécie de moeda para compra de bênçãos. Ele está relacionado à humilhação da carne. Portanto não combina com arrogância nem com um suposto direito diante de Deus, como se Ele tivesse a obrigação de nos dar algo ou fazer o que queremos pelo fato de termos jejuado. Podemos levar nossos pedidos a Deus juntamente com o jejum, mas sabendo que Ele é soberano para nos atender ou não. A diferença está na atitude de quem jejua.

Na época de Isaías, as pessoas jejuavam, mas, ao mesmo tempo, viviam no pecado e ainda faziam exigências diante de Deus. Ele os repreendeu severamente, ordenando que corrigissem seu comportamento (Is 58.3-7). O jejum é bom como parte de uma vida consagrada ao Senhor, e não como mero ritual religioso desvinculado da santificação.

Os fariseus jejuavam e faziam questão de que todos soubessem disso (Mt 6.16-18). Assim, seriam considerados pessoas espirituais. Esse tipo de jejum não agrada a Deus, pois não é feito para Ele. Quando jejuarmos, sejamos discretos. Ninguém precisa saber, embora não seja um segredo absoluto. Deus sabe e nos recompensará conforme a Sua vontade.

:: Pr. Anísio Renato de Andrade