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André Valadão 10 Anos de Ministério

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Para aqueles que conhecem o cantor André Valadão pode até ser surpresa saber que ele também seja pastor. No próximo mês de maio, AV celebra 10 anos de sua consagração pastoral nos Estados Unidos, onde cursou dois seminários e teve convicção de seu chamado como pastor. Em seguida voltou para o Brasil onde passou por alguns ministérios da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte/MG, onde é pastor voluntário, e lidera uma reunião todas as terças-feiras, com público médio de seis mil pessoas por semana. Além de apresentar o programa Fé, pela Rede Super de Televisão (retransmitido pela Rede Gênesis) ele acaba de assumir a presidência da emissora e garante “é um novo tempo”.


O chamado como evangelista faz dos eventos em que participa ser mais do que recorde de público, e sim, recorde com conversões ao Senhor Jesus. “Por onde tenho passado meu chamado tem se confirmado. São testemunhos de cura, libertação e salvação. É sem dúvidas, uma honra servir à Deus, e mais ainda, poder ser canal de bênçãos para tantas vidas”, declara André Valadão.

Nos últimos 10 anos André Valadão vem trabalhando como pastor e desenvolveu vários projetos em sua igreja local. Um deles, de maior destaque é a Escola de Cura, que eram reuniões realizadas de segunda a sexta-feira, e que veio a gerar o Ministério da Fé. “Naquela época começamos um trabalho intenso de visitas a hospitais, presídios, visitações a enfermos. Vimos muitas curas, o agir poderoso de Deus sempre nos surpreendeu”.

Quarta geração de evangélicos da família envolvidos com a área da música. André Valadão participou de quase todos os projetos do Diante do Trono e ganhou espaço na mídia evangélica e secular com seu trabalho solo que paralelamente ao trabalho pastoral comemora seis anos de carreira, dos quais tem nove Cds gravados: Mais que Abundante (2004), Milagres (2005), Alegria (2006), Clássicos (2007), Sobrenatural (2008) – indicado ao Grammy Latino, Unidos – André Valadão e Delirious?(2008), Clássicos de Natal (2008), Fé (2009) – indicado ao Grammy Latino – e André Valadão Diante do Trono (2009).

 

SG: Como você recebeu seu chamado ministerial?
AV:
Aos 19 anos eu tinha formado como técnico em processamento de dados. Lembro que foi em uma tarde de domingo, nessa mesma época, tive um momento muito forte de Deus na minha casa. Estava orando no banheiro do meu quarto, estava ali chorando, olhando para o espelho e eu disse: ‘Quero ser um homem usado pelo Senhor na minha geração. Quero realmente que o Senhor tome minha vida para ser um canal de bênção’. Naquele domingo mesmo Deus começou a trabalhar fortemente na minha vida. Da noite para o dia uma compaixão tomou conta do meu coração, amor por almas e por vidas, e eu decidi abrir mão da vida que eu poderia ter, do trabalho que eu poderia exercer para estar mesmo 100% na obra de Deus.

SG: Como foi a reação do seu pai, o também pastor Márcio Valadão, e da sua família quando disse a eles que ao invés de seguir uma profissão secular, gostaria também de estar integralmente na obra de Deus?
AV:
Quando eu tomei essa decisão de ir para os Estado Unidos, ainda havia uma dúvida no meu coração quanto qual seria o meu chamado específico, em qual ministério iria atuar, mas sabia que deveria obedecer e servir integralmente a Deus. Nunca ouve do meu pai uma palavra dizendo ‘ah, você vai ser pastor’, nem mesmo por brincadeira me chamava de ‘pastorzinho’. Sempre existiu um respeito muito grande entre nós e sobre o que Deus tinha para minha vida especificamente. Fui para os Estados Unidos buscar um ministério de Deus, o que Ele realmente tinha para mim, sem saber para onde iria depois dali, eu poderia voltar para o Brasil, como também poderia ir para qualquer outro lugar. Faltando pouco menos de um mês para minha consagração pastoral nos Estados Unidos partiu um convite do meu pai, para que eu fosse pastor na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, minha terra natal e eu aceitei o convite. Em maio de 2000, voltei para minha igreja local e ali dei continuidade ao ministério que o Senhor havia me dado ali nos Estados Unidos.

SG: Em quais seminários você estudou nos Estados Unidos?
AV: Na verdade estive em três seminários por lá: o Christ for The Nations, na área de louvor e música. Fiz também o Rhema Training Center do ministério Kenneth Hagin, onde por dois anos trabalhei diariamente, estudava intensivo pela manhã e trabalhava a tarde. E sou formado também pela Escola de Missões Domata, onde cursei missiologia. Me envolvi muito no ministério quando estive nos Estados Unidos. Ajudava duas igrejas no interior de Oklahoma no louvor, na hora da oferta, na limpeza da igreja, banheiros, tudo mesmo por dois anos. E também auxiliava no ministério do Kenneth Hagin liderando louvor. Por isso mesmo meu chamado pastoral foi um reconhecimento deles que estavam comigo todos os dias.

SG: Você acredita que o reconhecimento do ministério pastoral também venha a partir das outras pessoas?
AV: Completamente. O que nós plantamos, nós colhemos. Esses dois anos que fiquei ali envolvido ministerialmente foi um tempo de consagração mesmo. Não me envolvi emocionalmente com ninguém, busquei mesmo com muita clareza o que o Senhor tinha para minha vida. Foi crucial para meu ministério ter semeado naquela época. Foram três anos intensos sem que sequer vir ao Brasil. Quem queria me ver, tinha que ir até lá. Abri mão de tudo para compreender a vontade de Deus para mim. Lembrando que naquela época não tinha Internet com essa facilidade que temos hoje para nos comunicarmos.

SG: Como foi seu retornou ao Brasil?
AV: No dia da minha formatura no seminário meu pai estava comigo nos Estados Unidos. Em seguida foi a consagração pastoral, haviam vários ministros lá e eles oraram por mim abençoando para a obra ministerial. Já voltei ao Brasil como pastor e disposto a servir com meu pai, o pastor Márcio Valadão, onde precisasse, e sem saber em qual área específica iria trabalhar. Naquela época a IBL tinha cerca de 18 mil membros, hoje temos mais de 40 mil, para a glória de Deus, e tinha dois Cds gravados pelo Diante do Trono. Participei do primeiro CD do Diante do Trono, no segundo enviei duas músicas e eles gravaram “Amigo Fiel” e “Pra sempre”, que são de minha autoria, e no terceiro CD do DT, o Águas Purificadoras, tinha dois meses que havia chegado dos Estados Unidos e também participei ministrando louvor, e foi onde houve um momento espontâneo em que ministrei sobre cura. Foi a confirmação e o reconhecimento de mais um ministério, dessa vez, com o louvor.

SG: E como foi seu trabalho no dia-a-dia na Igreja Batista da Lagoinha?
AV: Comecei meu ministério com um foco muito grande em “cura”. Iniciamos um projeto chamado “Escola de Cura”. Por quatro anos mantivemos o ministério com cultos de segunda a sexta-feira, ministrados às 14h, nas dependências da Lagoinha. Testemunhamos muitas curas e milagres nessas reuniões. Havia, inclusive, hospitais que liberavam seus pacientes para que pudessem vir em nossa reunião. Esse culto abriu portas para começarmos um trabalho de visitação a hospitais três vezes por semana e também a presídios e também o culto das terças-feiras à noite onde estou até hoje. A Escola de Cura cresceu tanto que se tornou o Ministério da Fé, além de visitarmos todos os hospitais de Belo Horizonte e região, criamos o Tele-Cura, que era uma central de telefonemas voltados para visitação e ministração de cura por telefone, entre outras atividades. Nessa mesma época criamos o Seminário Teológico Carisma, que pela graça de Deus, vem formando ministros para todo o Brasil e tem dado muito certo. Cheguei inclusive, a dar aula por três anos lá de “como ser guiado pelo Espírito Santo”, “vida de louvor” e “autoridade do crente”. Crescemos a tal ponto que acabei me tornando presidente da Fundação Oásis, uma instituição sem fins lucrativos ligado à IBL e que lidera todos essas atividades, além de uma creche para cerca de 500 crianças. Também tive um tempo com o ministério de jovens da igreja, mas acabei tendo que atender as demandas do Diante do Trono que viaja muito naquela época.

SG: Você também fazia atendimento pastoral?
AV: É interessante falar disso, porque minha formatura foi em uma sexta-feira, no sábado voltei para o Brasil, e no domingo, já estava de volta em minha igreja local. No domingo a tarde batizei 165 pessoas e a noite eu preguei na igreja. Foi minha primeira ministração da Palavra ali com a mensagem “Você pode ser guiado pelo Espírito Santo”. Durante a semana eu estava no culto todos os dias a tarde. Ficava na igreja, recebia os irmãos e com isso fui conhecendo melhor minha igreja, os membros, a necessidade de cada dia. Fui aprendendo a lidar com as pessoas nessa área de aconselhamento, visitação, realmente servindo ali.

SG: Seu retorno ao Brasil coincide com a ascendência do Diante do Trono que para muitos é uma nova fase do louvor em nosso país. Como foi essa experiência para você?
AV: Na verdade, quando eu voltei, pudemos testemunhar do “antes e o depois” do Diante do Trono, que é essa bênção em nossa geração. Na verdade, nós como família, “o André”, a “Ana Paula”, no nosso coração nós fazemos hoje e naquela época o que nós sempre fizemos a vida toda. Não tem nada de novo em nossa vida, nós sempre cantamos na igreja, sempre pregamos nas praças, nas escolas. Sempre doamos as nossas férias com a Jocum, viajamos pelo Brasil e fora do país falando do amor de Jesus Cristo. O que vemos a nossa volta são os frutos desse trabalho. Continuamos fazendo as mesmas coisas, cantamos na igreja, pregamos e fazemos o “apelo” (termo usado quando se convida pessoas a reconhecerem Jesus como único Senhor e Salvador). Do que meu pai nos ensinou nós continuamos fazendo. O movimento a nossa volta estava borbulhando, mas pela graça de Deus, Ele nos ajudou a manter essa essência na nossa família, na nossa casa, em todas as coisas. Na minha cabeça, na minha mente, no meu coração não mudou nada do que fazíamos.

SG: Fala-se muito da influência do seu pai como homem de Deus e pastor, mas como é a caminhada com sua mãe, a pastora Renata Valadão?
AV: Mãe é mãe. A mãe tem um papel que o pai não tem. Eu falo, porque hoje sou pai. Minha mãe é uma bênção na minha vida, na vida das minhas irmãs Ana Paula e Mariana e também na vida do meu pai, como líder, como pessoa que se doa tanto. Sempre tivemos o privilégio de termos a nossa mãe em casa, cuidando, disciplinando, ensinando no caminho que devemos andar. Minha mãe sempre foi essa pessoa abençoadora e que acreditou demais em nós. Ela é aquela referência divertida, bem humorada, sempre com palavras boas e positivas. Tudo o que fizemos em nossa vida ela foi essa coluna de bênção.

SG: Certa vez você disse que além do seu chamado pastoral e como cantor tem também o chamado evangelístico. Como isso funciona na prática?
AV: Cada chamado ministerial engloba dons ministeriais. O pastor tem o dom do conhecimento, do ensino, ele é o mestre, ele ensina, guia as pessoas. O evangelista carrega o dom de curas e milagres, trás em sua história a conversão de muitas pessoas. Há pastores que pregam muito bem, mas na hora do apelo, uma ou duas pessoas entregam a vida para Jesus. Como também tem evangelistas que nem falam muito, mas por meio de uma cura ou milagre, ele faz o apelo e convertem muitas pessoas. Tenho em minha vida um chamado evangelístico muito forte, por onde temos passado testemunhamos de muitas curas e conversões e vemos milhares de vidas salvas e restauradas todos os anos, graças a Deus! É preciso reconhecer que a oração é a base da vida do crente. Tudo começa no mundo espiritual, lidamos com trabalho 100% espiritual, ele não é natural. É na oração que eu vou saber se eu entro ou não por uma porta, e nela que vou entender se gravo ou não um disco, se é aquela mensagem que vou pregar ou não. Na minha vida, a oração é mais do que o café da manhã que eu tomo, antes de qualquer coisa, estou sempre orando. Inclusive Deus tem levantado pessoas para orarem por mim e por meu ministério. Sei que são pessoas que oram e intercedem por mim, clamam a Deus por minha vida. Eu sinto claramente quanto estou sendo opresso, mas também sinto quanto tem gente orando.

SG: Como foi o processo de construção da sua carreira solo?
AV:
Minha carreira solo veio naturalmente. Quando tomei a decisão de focar minha carreira foram por alguns motivos específicos. Por estar de manhã, tarde e noite na igreja, como pastor em tempo integral. Quando fiz o primeiro CD, foi a partir de uma iniciativa da minha irmã, Ana Paula, e também do próprio Diante do Trono. Deus estava me dando tantas canções, e por fim aceitei o desafio e gravamos. O resultado deste disso foi algo surpreendente. Não esperava receber tantos convites para ministrar por todo o Brasil. Daí percebi que poderia maximizar meu ministério de uma igreja local para todo o Brasil. O Diante do Trono era um grupo muito grande e era difícil viajarem e também, assessorarem minha carreira. Montei algo menor, mais prático e as coisas começaram a acontecer. Já são seis anos e está tudo bem tranquilo, caminhando. Hoje estou mais na igreja do que se eu nunca tivesse gravado um disco. Pela misericórdia do Senhor o que o ministério tem trazido para a igreja é um retorno muito maior do que se eu estivesse ali o tempo inteiro. É maravilhoso viajar pelo Brasil, cidades muito pequenas, chego nas cidades as pessoas cantam minhas músicas, me perguntam como o Lorenzo está, é um privilégio mesmo.

SG: Como é esta questão da carreira solo com o Diante do Trono?
AV: Eu sou parte do Diante do Trono. Esse último disco eu não gravei porque de última hora eles mudaram a agenda da gravação e tive que abrir mão porque tinha uma outra agenda estabelecida anteriormente e não tive como cancelar. A incompatibilidade de agendas é o único ponto que as vezes me impede de estar com o grupo. Mas sempre estamos juntos na nossa igreja.

SG: E como foi assumir a presidência da Rede Super de Televisão?
AV: A Rede Super é o canal de televisão da Igreja Batista da Lagoinha. Já há 10 anos também sou apresentador, dos quais há oito somente ali, e a partir de um convite, aceitei assumir a direção da emissora. Sem dúvidas é um novo tempo, um novo desafio, e estamos todos muitos felizes com esta oportunidade em melhorar aquilo que o Senhor já tem nos dado. É maravilhoso pensar que nestes 10 anos de ministério, Deus veio abrir mais uma porta para nós afim de levar a visão que Ele já nos tem dado, expandindo para tantas outras vidas. É tão interessante, porque em 2000, eu já estava na TV Metrópole, aqui em Belo Horizonte onde eu tinha o programa “Céu na Terra” e durante 1 hora e meia eu pregava a Bíblia, e tinha um beep, onde recebia pedidos de oração, cantava e orava pelas pessoas. Naquela época era o beep, hoje é o Twitter (risos).

SG: Você é bem conhecido por inovar utilizando as novas mídias, principalmente na Internet com MySpace, Twitter, blogs, etc.. Como é sua visão em relação a isso?
AV: Sou formado em processamento de dados. Eu amo tecnologia. Busco ser na vida do crente alguém atual. O MySpace por exemplo era uma ferramenta que praticamente não se usava. Vejo que hoje, é imprescindível para quem trabalha com música não ter um perfil ali, e vai além disso. Uma página detalhada, trabalhada e focada para o projeto de divulgação do músico.

SG: Sabemos que você foi um dos pioneiros a levar a sério o uso do Twitter no Brasil. Já aconteceu alguma situação inesperada ou engraçado pelo fato das pessoas acompanharam tudo que você faz pelo microblogging?
AV: Sim, acontece direto (risos). Outro dia mesmo estava no Aeroporto de Congonhas (SP), passei pelo raio-X e me sentei para esperar meu voo. Peguei meu celular, abri meu Twitter e vi uma mensagem assim “André, acabei de te ver passar pelo raio-x”. Acaba que somos totalmente monitorados, tuitados ao mesmo tempo, é muito gostoso. O Twitter, a Internet foi uma ferramenta de Deus para nos aproximar e tirar essa figura do pastor e do cantor que só fica no púlpito e distante. Hoje estamos todos mais próximos, estamos juntos para ter comunhão, é muito gratificante. No Twitter respondo por dia cerca de 50 pessoas, faço o máximo para responder a todos, mas nem sempre consigo. Além de responder, assumi o propósito de sempre ligar para alguns dos meus seguidores ali para orar junto. Quase não divulgo, porque, um pouquinho que divulguei foi uma confusão (risos). Mas continuo ligando e orando com as pessoas para abençoar. Hoje temos ali 43.674 pessoas me seguindo, e o número cresce dia após dia assustadoramente (risos).

SG: Muito se fala sobre você ser dessa ou daquela gravadora, como isso funciona?
AV: Eu sou de Jesus (risos). Tudo o que tenho foi Deus que me deu. Eu não tenho isso de ser de um ou de outro. A Graça Music tem um produto meu, a Som Livre tem um produto meu. Mas graças a Deus sou uma pessoa muito livre, a minha carreira e meu ministério é bem independente.

SG: Dos seus projetos ministeriais para 2010 o que você pode adiantar?
AV: Recebi um convite para lançar a Bíblia Fé. Ela já está em fase de produção e terá um pouco das minhas pregações e experiências com Deus. Fui muito honrado por este convite e já estamos trabalhando nele. Muito perguntam sobre um novo disco. A experiência com o CD Fé foi tão boa que é difícil tomar qualquer decisão. Tenho orado, ainda não sabemos se gravaremos um CD inédito ou se faremos um CD Clássicos 2 apesar de já ter algumas músicas inéditas. Mas o que posso dizer é que não há data prevista para um novo trabalho. Vamos orando.

 

Por Elisandra Amâncio

Fonte: Showgospel

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