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Conhecendo e desenvolvendo seus limites

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A prática da resistência é a arte de não se dobrar, não se render, não se deixar arrastar, não ceder, não relaxar, não fazer concessões frente a qualquer força que tenha o propósito claro ou velado de remover o crente do centro da vontade soberana e particular de Deus 

Há dois tipos de resistência. Podese resistir tanto ao mal como ao bem, tanto às trevas quanto à luz, tanto ao pecado como à virtude, tanto ao diabo como a Deus. A demorada e insistente resistência ao Espírito de Deus leva ao pecado sem perdão, ao caminho sem volta, ao remorso sem trégua. Essa resistência é loucura e termina em tragédia. A outra resistência é virtude e termina em glória. O evangelho, a fé cristã, a Palavra de Deus ensina a não resistência à soberania de Deus e a resistência ao princípio do mal; “sujeitaivos a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

Os mais notáveis exemplos de resistência
José resistiu à mulher de Potifar (Gn 39.1-23), não obstante a atrevida insistência dela na realização do adultério, não obstante a circunstância extremamente favorável (não havia ninguém em casa), não obstante a idade (entre 16 e 28 anos) e a situação de José (longe de casa e da família). 

Elias resistiu aos profetas de Baal (1Rs 18.20-24), não obstante o excessivo número deles (450), não obstante o apoio total e ostensivo que a mulher de Acabe dava a eles (foi Jezabel quem os trouxe de Tiro e era ela quem os sustentava), não obstante a oposição sistemática e violenta que Jezabel movia contra os profetas do Senhor.

Jó resistiu aos seus infortúnios (Jó 1.22; 2.10; 19.25), não obstante a opulência anterior (sete mil ovelhas, três mil camelos, mil bois e quinhentas jumentas), não obstante a descarga impiedosa de desgraças que caiu sobre ele (perda dos bens, perda dos filhos e perda da saúde), não obstante o desânimo atroz da esposa, que lhe dizia: “Amaldiçoa a Deus, e morre.” (Jó 2.9.)

Neemias resistiu aos seus adversários (Ne 4.1-23), não obstante a pregação demolidora de Sambalá e Tobias, não obstante as ameaças de luta armada que os inimigos lhe faziam, não obstante a dificuldade e morosidade da obra empreendida (a reconstrução dos muros de Jerusalém e a recuperação do culto).

Daniel resistiu ao decreto do rei da Pérsia e não deixou de orar a Deus (Dn 6.1-28), não obstante a irrevogabilidade das leis dos medos e dos persas, não obstante o seu alto cargo do governo de Dario (um dos três presidentes dos 120 sátrapas do império), não obstante a pavorosa sentença de morte (cova de leões) a que estava sujeito se não obedecesse a ordem do rei.

Jesus resistiu ao diabo (Mt 4.1-11) e a Pedro (Mt 16.22-23), não obstante a fome gerada por um jejum de quarenta dias, não obstante a ousadia de satanás (“Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”), não obstante a sutileza das tentações.

Paulo resistiu a Pedro (Gl 2.11), não obstante a posição de Pedro na liderança inicial da igreja, não obstante ser mais novo na fé do que Pedro, não obstante a pressão que estava por trás de Pedro.

Os mais notáveis exemplos de não-resistência
A mulher não resistiu à serpente e o pecado entrou no mundo (Gn 3.1-7). Com o pecado, veio a morte (Rm 5.12).

Davi não resistiu à concupiscência dos olhos e cometeu adultério (2Sm 11.1-4). Com o adultério, um abismo chamou outro abismo (Sl 42.7).

Salomão não resistiu aos clamores de suas mulheres estrangeiras e cometeu idolatria (1Rs 11.1-8). Com a idolatria, veio a desintegração do reino (1Rs 11.11).

O jovem carente de juízo de que fala Salomão não resistiu à mulher adúltera e com ela prevaricou (Pv 7.6-27). Com a prevaricação, o rapaz tornou-se como o boi que vai para o matadouro ou o servo que corre para a rede.

Judas não resistiu ao diabo e traiu o Senhor (Lc 22.3-6). Com a traição, veio o suicídio e outro tomou o seu encargo (At 1.15-26). 

Demas não resistiu à atração mundana e abandonou a companhia de Paulo (2Tm 4.10). Com o abandono, certamente naufragou na fé (1Tm 1.19).

A igreja em Tiatira não resistiu à influência de Jezabel e se contaminou com as suas prostituições (Ap 2.19- 20). Com a contaminação, deixou de ser uma igreja irrepreensível como a igreja em Filadélfia.

O campo da resistência
A resistência deve ser dirigida a qualquer tipo de pressão contrária aos ditames da consciência, aos impulsos do Espírito e à instrução da Palavra de Deus, desde a mera sugestão (o fogo mais brando) até a tentação absurda (o fogo mais alto). 

A mera sugestão é aquela tentação formulada não por pessoas do mundo nem por anjos caídos, mas por parentes, amigos e irmãos na fé, com as melhores intenções possíveis e dentro de uma lógica aparentemente aceitável. É a tentação a que Davi foi submetido, quando seus amigos lhe disseram com certeza que o Senhor lhe tinha entregado Saul para ser morto por ele (1Sm 21.1-22). É também a tentação a que foi submetido o próprio Jesus, quando Pedro lhe disse para ter compaixão de si mesmo e evitar o sofrimento e a morte em Jerusalém (Mt 16.21-23).

A tentação absurda é aquela tentação ousada, arrogante, mais descabida do que qualquer outra. É a tentação a que Jesus foi submetido por satanás quando ele o levou a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” (Mt 4.9.) É também a tentação de não beber o cálice pelo qual Jesus passou por alguns momentos no Getsêmani na madrugada de sexta-feira da paixão (Mt 26.36-46). É a tentação daquele homem casto que sentiu tremenda vontade de ir a um prostíbulo na véspera de seu casamento com uma mulher amada e bonita.

A tentação comum é aquela tentação de todo dia, situada entre a mera sugestão e a tentação absurda. É preciso oferecer resistência à incredulidade, ao egoísmo, à impaciência, ao comodismo, à vaidade, ao desânimo, à tristeza, ao ódio, à vingança, ao medo, à ansiedade, ao falso testemunho, à lascívia, ao tédio, à preguiça, e assim por diante.

Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Ef 6.13.)

O volume da resistência
A resistência tem de ir até as últimas consequências, no esforço e no tempo. Não pode parar no meio do caminho, não pode sofrer interrupções, não pode ser abandonada. A demora da consumação de todas as coisas não deve enfraquecer ou interromper a prática da resistência, como aconteceu com o servo irresponsável da parábola de Jesus (Lc 12.45-46). 

1. É preciso resistir “até setenta vezes sete” (Mt 18.22).

2. É preciso resistir até terminar a obra iniciada: “Assim se executou toda a obra do Salomão, desde o dia da fundação da casa do Senhor até se acabar.” (2Cr 8.16.)

3. É preciso resistir até o fim: “Aquele, porém, que preservar até o fim, esse será salvo.” (Mt 24.13.)

4. É preciso resistir até o sangue: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até o sangue.” (Hb 12.4.)

5. É preciso resistir até à morte: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10.)

6. É preciso resistir até a vinda do Senhor: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor.” (Tg 5.7.)

A resistência no dia mau
Por questões orgânicas, por questões climáticas, por questões geográficas, por questões históricas, por questões sentimentais, por questões sociológicas, por questões religiosas e outras, o tempo não é uma eterna mesmice, como lembra a Bíblia (Ec 3.1-8).

No calendário de qualquer pessoa pode surgir, de repente, o desagradável dia mau de que fala Paulo: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Ef 6.13.)

Esse dia mau é o dia da tentação, o dia da provação, o dia do cerco, o dia do aperto, o dia da investida satânica, o dia da depressão, o dia da dor, o dia da doença, o dia da morte, o dia da tragédia. Mas é um dia que chega e também passa. Especialmente nesse dia a capacidade da resistência precisa estar em forma, revestida de redobrada força. Daí a associação que Paulo faz do dia mau com a armadura de Deus.

De posse dessa armadura espiritual, qualquer membro do Corpo de Cristo pode resistir no dia mau e dele sair são e salvo. As peças principais dessa armadura incluem o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito. Com o auxílio e bom uso da armadura de Deus, é perfeitamente possível obter vitória no dia mau, mesmo que seja um embate envolvendo os principados, as autoridades e os dominadores deste mundo tenebroso.

Os recursos da resistência podem ser achados também na plena confiança em Deus (Sl 23.1), no exercício da piedade pessoal (1Tm 4.7-8), na prática da humildade cristã (2Co 12.10), no poder do Espírito (At 1.8; Rm 8.13) e na extraordinária certeza de que Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças (1Co 10.13).

:: Por Pr. Élben César.
Fonte: Jornal Atos Hoje

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