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Entrevista com Ruben di Souza

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Ruben di Souza – sonho de “consumo” dos músicos
Conheça o trabalho de um dos produtores musicais mais conhecidos do Brasil
Aos 37 anos, Ruben di Souza, o mineiro é um dos principais nomes do cenário da música no Brasil. Produtor musical de grandes nomes como André Valadão, Discopraise, César Menotti & Fabiano, Mariana Valadão, Thalles e Wilson Sideral. Morando em Belo Horizonte (MG) o produtor falou com exclusividade para a Show Gospel sobre seu trabalho e seus 20 anos de carreira, explicando um pouco mais sobre o processo de produção de um CD.
Quando se diz o nome Ruben di Souza logo se pensa na produção musical, mas quem é de fato Ruben di Souza além da música?
Ruben di Souza: Sou um cara simples que adora estar com meus amigos recebê-los em casa e amo cozinhar. Minha família (Táta-esposa, João e Bernardo-filhos) são meus melhores amigos. Gosto do simples e do sofisticado, um cara normal atento as coisas que acontecem, na busca de uma visão 360º.
Você começou na área da música desde os 15 anos, mas em algum momento você sonhava ser algum outro profissional que não fosse nesta área?
R.S.: Sonhei sim. Sonhava ser muitas coisas, aquelas coisas de criança, “mãe quero ser bombeiro, policial ou piloto de avião”. Mas se não fosse músico gostaria de ser “Chef” adoro inventar e a cozinha é um paraíso para isso.
Para chegar ao bem sucedido produtor musical no cenário nacional como é visto hoje levou tempo. Qual e quando foi lançado o primeiro CD produzido por você e o último?
R.S.: Na época da Banda Azul fizemos o CD “Louvor, Louvores e Louvorzão”, em 1992. Naquele tempo esse trabalho foi Disco de Ouro na estreia e eu considero como meu primeiro para a indústria da música. De lá para cá aconteceram muitas coisas, muitos trabalhos e o meu último foi para a Sony Music Gospel da jovem cantora Brenda. É um disco lindo que tenho muito orgulho dele.
  
Muito se lê sobre sua vida e trajetória como produtor musical. Entre tantos CDs e DVDs lançados é possível destacar quais os principais álbuns assinados por você?
R.S.: Claro! O Fé (André Valadão), Pensei que fosse o céu (Vander Lee), Dias Claros (Wison Sideral), De Todo Meu Coração (Mariana Valadão), Vai Tudo Muito Bem (Discopraise), esse último é um álbum especial, as pessoas precisam conhecer esse CD que tem uma alma incrível, tem muito som e unção.
Saberia dizer quantos CD e DVDs já produziu em toda sua carreira?
R.S.: (Risos) Parei de contar. No início contava e tinha guardado, depois de um tempo não consegui mais fazer isso. Acredito que mais de 100 CDs e 20 DVDs. Ainda vou fazer esse levantamento.
Que tipo de serviços o estúdio Nosso Som fornece? Aproveite e conte um pouco da história do estúdio.
R.S.: O estúdio começou em 1997/98, tinha em casa meus equipamentos, as coisas foram crescendo e já não cabia mais. Senti que era a hora de se ter um lugar, convidei o Henrique Portugal (tecladista do Skank) para ser meu sócio e assim foi. Hoje o estúdio é praticamente minha base, não é um estúdio de aluguel, mas ele dá suporte para nossas produções. É o paraíso dos teclados, como é conhecido, pelo fato do meu intrumento principal ser o teclado e do Henrique também. É um lugar gostoso onde se fala de música.
Te acompanhando pelo Twitter (@RubendiSouza) é notável que não existe rotina em seu trabalho, principalmente pelas constantes viagens. Como é o dia-a-dia do pai, marido, amigo e produtor Ruben di Souza?
R.S.: De uns tempos para cá tenho feito trabalhos pro Brasil inteiro, realmente tenho viajado muito para gravações, ensaios, reuniões e etc. Adoro ir e vir, poder sentir saudades de casa, de Belo Horizonte, é muito bom! Também tenho uma família que curte e apoia o meu trabalho, a gente se fala o tempo todo. Sou daqueles caras que gasta um tempo do dia para dar um “alô” para os amigos. Sem esse suporte seria impossível trabalhar tão freneticamente.
Ruben, você tem consciência que é o “sonho de consumo” de muitos músicos, principalmente da “ala independente”? Como enxerga isso?
R.S.: Acho isso o máximo! É bem legal saber que as pessoas gostam de você e querem trabalhar contigo um dia. A música é uma arte que te dá essa possibilidade, isso já aconteceu comigo. Artistas que ouvia quando criança, que sonhava em conhecer me ligaram e me chamaram para trabalhar. Entendo que Deus coloca as pessoas em nossas vidas. E que ser visto como uma referência ou sonho de consumo é muito bom pois é enxergar que o seu trabalho está dando frutos.
A parceria com a banda brasiliense Discopraise sem dúvidas chama a atenção pela qualidade dos trabalhos, ainda no cenário independente, apesar de agora estarem em um gravadora. Muda alguma coisa da produção de um CD do cenário independente para a gravadora, ou a liberdade em produzir predomina no projeto?
R.S.: Eu amo a Discopraise eles snao pessoas especiais são verdadeiros irmãos que tenho trabalhei com eles em três discos, e sempre foram à frente do tempo, naquela época eles acreditaram e fizeram o melhor que eles poderiam. Fizemos o “transformou” depois fizemos o “Vai tudo muito bem” que considero uma obra-prima um momento muito especial depois fizemos o “Se eu me Humilhar” esse foi pra Graça Music e aí sim o Brasil passou a conhece-los, o que mudou definitivamente foi que as portas se abriram quando eles entraram na gravadora a música foi parar nas rádios e nas igrejas o marketing da gravadora fez toda a diferença, deu uma alavancada top na carreira dos meninos agora vamos começar o quarto album.
Provavelmente você receba muitos contatos de novos “produtores” querendo dicas de como se tornar um produtor bem sucedido. Geralmente o que você sugere para quem tem interesse nesta área? Existem pré-requisitos,curso específico, pesquisas e dom para ser um bom produtor musical?
R.S.: Recebo pais que me ligam e falam “o meu filho pode fazer estágio com você?”, ou, “como faço para me tornar igual a você?”, ou ainda, “montei um estúdio em casa e quero produzir como você”. O caminho é longo e não se percorre ele todo em poucos meses. Estude, invista, pesquise, vá em shows, leia sobre as bandas, faça cursos de áudio, aprenda a ser organizado! O planejamento é o segredo dos resultados. E procure andar com as pessoas certas e estar nos lugares certos, nas horas certas.
Como produtor musical é possível ver um projeto e identificar que o cantor ou banda está preparada ou não para gravar? Existe um momento certo para isso? Até mesmo identificar um estilo?
R.S.: Sim é possível. A experiência te dá isso, basta ouvir ou ver que você já reconhece na hora se está ou não preparado para gravar. Hoje as pessoas estão muito bem informadas por causa da Internet e do acesso à informação tem muita gente boa mesmo e também tem muita gente perdida. A função do produtor é com amor tentar mostrar o caminho para essas pessoas. E, quanto ao estilo, o som tem de ter a cara música da pessoa, pois, música é estilo de vida.
Você acredita que a paixão, o amor pela música ainda seja a motivação de quem produz um CD ou DVD?
R.S.: Acredito sim sei de muitos casos de pessoas que há anos tentam e tentam e nunca desistem se vc não amar o que vc faz vc não consegue perseverar, e se vc faz o que vc ama td fica mais fácil e simples é um mercado muito competidor e tem prazo de validade então o segredo é o amor a paixão e viver intensamente o seu projeto.
Quando se fala em gravação, escolha de repertório, produção, masterização, mixagem, plataformas e equipamentos para alguns pode parecer um tanto quanto estranho. É possível explicar para nossos leitores qual o passo-a-passo do processo de gravação de um CD do início ao fim?
R.S.: Como produtor primeiro você tem de se indentificar com o som que o artista quer fazer e entender 100% o que se passa na cabeça dele. Depois vem: 1. Escolha do repertório (músicas que tenham o perfil do artista e do público que ele quer alcançar); 2. Escolha dos músicos (cada músico tem uma especialidade e gravar em estúdio é bem diferente de tocar ao vivo); 3. Fazer os arranjos (escrever os arranjos, partituras ou cifras, anotar timbres, planejar antes de ir para o estúdio); 4. Definir os engenheiros de gravação (são peças fundamentais em um projeto cada engenheiro tem seu perfil na hora de gravar e de finalizar); 5. Definir estúdios para gravação e mixagem (a escolha do estúdio é importante para saber até onde se pode chegar no resultado final); 6. Gravação(bases, instrumentos e vozes) é o momento que você escolhe os microfones, os intrumentos e decide a sonoridade  da música; 7. Pós produção (edição, limpeza e sound design); 8. Mixagem (é a parte mais importante, onde se define o som do CD os efeitos); 9. Masterização (É o processo que determina o volume do disco, limpeza final); 10. Comemorar (como é bom ver o filho nascendo).
Falando dos estúdios no Brasil é possível dizer o que se encontra de melhor ou o mínimo em equipamentos que um bom estúdio precisa ter para produzir um CD?
R.S.: Hoje no Brasil temos o padrão mundial. Procuro sempre trabalhar nos melhores do país: Mosh (SP), Mega (SP), Cia dos Técs (RJ), Mega (RJ), Máquina (MG) e Minério de Ferro (MG). São lugares que tem tudo que se precisa para fazer um grande álbum, no mesmo padrão lá de fora. Acredito que o estúdio precise ter: 1. Uma boa sala de gravação; 2. Bons microfones; 3. Bons pré amplificadores e compressores; 4. Bons monitores (caixas de som); 5. Um sistema de ar condicionado que funcione e seja silencioso; 6. Uma boa estrutura para atender o artista (estacionamento, banheiros, cozinha); 7. Uma boa equipe que atenda as necessidades do projeto; 8. Uma boa conexão de internet; 9. Bons delivery’s por perto; 10. Um lugar onde você se sinta bem e que tenha vontade de voltar.
Show Gospel: Quando se produz um CD há diferença ao se pensar no projeto “ao vivo” ou em estúdio? Dizem que no gospel o “ao vivo” não é tão bem vindo. O que você acha disso?
R.S.: Uma coisa é bem diferente da outra o CD ao vivo vc tem controle maior das coisas e Ao Vivo vc corre mais riscos, se eu tenho um artista de confiança e uma boa banda e equipe ao vivo me emociona muito, mais na minha carreira fiz mais discos de estúdios. Pra mim não importa se é ao vivo ou não importa se tem alma.
Qual é a maior preocupação de quando você produz um CD e DVD ao vivo simultaneamente, como foi o caso do CD/DVD Fé de André Valadão?
R.S.: O Fé para mim é um marco ao vivo. Foi a minha maior experiência. Minha maior preocupação é com a voz, se o cantor está bem para poder ter a melhor performance dele. Na noite de gravação do Fé o André Valadão estava com uma unção especial, ele arrasou, arrebentou. Tem uma curiosidade que poucos sabem, mas a voz do André nesse CD/DVD foi a mesma do dia da gravação. Não precisamos refazer nada. Isso é uma coisa muito rara, pois não depende só dele depende também dos equipamentos. Mas acredito que Deus escolheu aquela noite para nós e entramos de corpo e alma. Me emociono de lembrar.
Em diversas entrevistas você sempre comenta que não divide a música como secular e gospel por acreditar que música é música. Entretanto, no cenário internacional parece que esta “divisão” já foi superada, principalmente pelas grandes gravadoras. O que falta no Brasil para que haja essa consciência?
R.S.: Falta muito pouco, a música gospel está evoluindo muito rápido em pouco tempo vamos ver artistas dividindo o mesmo palco, o mesmo programa de TV e as mesmas emissoras de rádio.
 
Como produtor musical você é reconhecido nacionalmente em diversos estilos musicais no Brasil. Como é produzir nomes como César Menotti & Fabiano, Wilson Sideral, Tianastácia, Lu Alone, André Valadão, Discopraise e Mariana Valadão? Cada um com seu estilo. Qual é o papel do produtor neste caso, identificar o que há de melhor com cada um?
R.S.: Quando se convida um produtor para trabalhar o artista já existe, então o macete é entender as composições de cada um e a roupa que precisa ter. O estilo já vem impresso na música desde o dia em que ela foi feita, não estou falando de arranjo, estou falando de estilo. Graças à Deus tive o privilégio de trabalhar com ótimos artistas e eles sempre souberam o que queriam.
Há diferença na produção da música “secular” e gospel ou você acredita que hoje a profissionalização e qualidade esteja de igual para igual?
R.S.: Tá de igual para igual , isso é muito bom e só vai melhorar.
E o que vem por aí? É possível adiantar quem são seus próximos “produzidos” no meio gospel nestes próximos meses?
R.S.: Terminei o CD da Brenda, vou fazer agora o novo álbum da Discopraise e o DVD da Mariana Valadão. Depois um mega projeto com uma banda gospel que por enquanto prefiro esperar, mais é coisa grande e boa.
Qual sua principal fonte de inspiração?
R.S.: É o passado costumo dizer que quem não tem passado não tá pronto pro futuro e claro Deus que me deu td e acho gratificante tentar devolver fazendo o meu trabalho.
Você tem tempo de conhecer trabalhos de outros produtores brasileiros? Alguém que se destaque?
R.S: Tem muita gente boa e que tambem são minhas referências : Guto Graça Melo, Marcelo Sussekind, Dudu Marote, Liminha, Tom Capone, Misael Passos, Melck Carvalhedo, Jamba, Alfredo Moura, Otávio de Moraes Enfim tem muita gente boa nesse Brasilzão.
Ruben, um último conselho para quem deseja ser um bom produtor musical?
R.S.: Pesquisar sempre, ouvir muito e aprender a investir.
Jogo rápido com Ruben di Souza
Nome: Ruben di Souza.
Idade: 37.
Cidade natal: Araxá (MG).
Formação: Músico profissional desde 1991.
Um lugar especial: Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho (MG).
Família: É o meu primeiro ministério, meu porto seguro.
Jesus: O único que podemos confiar.
Sua Igreja local: Igreja Batista da Lagoinha, significa muito. André Valadão é meu pastor e cuida de mim com amor.
A música: Tem o poder de influenciar as pessoas.
Estúdio: Estúdio Nosso Som (BH).
Tempo de carreira: 20 anos.
Antes de ser produtor musical era: Músico acompanhante, depois arranjador.
Banda Azul: de 1989 a 1992 eu fui tecladista da Banda e gravei três discos tenho orgulho e saudades dessa época.
Janires: Tive a honra de conhecê-lo. Ele caminhou muito com meu irmão Moisés (baixista da Banda Azul) e por isso fez parte de minha vida.
Quantos CDs e DVDs produz por ano: 5 ou 6 CDs.
Gravadoras que atende: Universal Music, Graça Music, Sony Music, Emi, Som Livre.
:: Por Elisandra Amâncio
Fonte: Revista Show Gospel.
Fotos: Rodrigo Bressane.
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