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Pedro do Borel conta um pouco da sua história com trabalho missionário

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Pedro do Borel

Pedro do Borel

Pedro Rocha Júnior, mais conhecido como Pedro do Borel, participou nessa sexta-feira (22), da primeira noite do 13º Congresso Desperta Igreja, evento promovido pela Igreja Batista da Lagoinha.

Na oportunidade, Pedro que, atualmente, é  reconhecido como um dos pioneiros em obras desenvolvidas em comunidades carentes, não só ministrou a Palavra de Deus, mas também concedeu uma entrevista para o Lagoinha.com, a qual vale a pena conferir.

Lagoinha.com – Quais são suas expectativas para a primeira noite do Desperta Igreja?

Pedro do Borel – Em 2008, eu estive, aqui, no Desperta Igreja, e confesso que foi uma experiência bem marcante. Estar novamente participando desse evento é um privilégio. A minha expectativa é que as pessoas entendam aquilo que eu tenho para compartilhar com elas. Espero também que haja o entendimento de um evangelho simples, pois se queremos ser despertados, não podemos perder a simplicidade da Palavra e Deus. Muitas pessoas, quando pensam em “Desperta”, imaginam que é necessário ocorrer um mover, mas se esquecem que este mover já ocorreu. A Palavra já foi ativada e a verdade que é uma pessoa: Jesus – já nos foi revelada. O que temos agora a fazer é nos enchermos de amor e começar agir, pois se queremos ser despertados, temos que ser batizados pelo poder do amor, pois sem amor não há “Desperta”.

Lagoinha.com – Você acredita que a Igreja está acordada para missões?

Pedro do Borel – Acredito que a igreja dormiu um pouco, ao invés de despertar. O mundo gira, o sistema não para e, com isso, não podemos fazer missões como fazíamos há 40 anos. A verdade é que, a Igreja não tem que se moldar ao mundo e nem perder a essência da Palavra, mas ela precisa se preparar e estar preparada para levar uma mensagem que alcance essa nova juventude. Existe uma nova criança crescendo e um novo jovem surgiu. Qual a mensagem e de qual maneira vamos alcançá-los? Nós, como Igreja, temos que estar abertos e acordados para essa questão, pois senão a Igreja vai ficar para trás.

Lagoinha.com – Há quantos anos você é missionário na JOCUM? Fale um pouco sobre o seu trabalho na JOCUM.  

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Pedro do Borel concede entrevista ao Lagoinha.com

Pedro do Borel – Vou completar 24 anos de trabalhos realizados na JOCUM. Durante todo esse tempo, conheci muito o Senhor e também pude fazê-lo conhecido. Fazer parte da JOCUM é algo muito gratificante, mas vejo que é necessário ocorrer uma renovação, no que diz respeito ao trato com a juventude. Precisamos nos renovar para que tenhamos a “pegada” certa e, isso nos possibilite aproximar e falar com os jovens da atualidade. No entanto, sinto certa dificuldade e resistência quanto a essa questão da renovação.

Lagoinha.com – Por que “Pedro do Borel”? Deve-se ao trabalho missionário na comunidade Borel?

Pedro do Borel – Eu sempre me apresento como Pedro Rocha Júnior, mas a verdade é que as pessoas me conhecem como Pedro do Borel. Durante 18 anos, morei e convivi na comunidade e, isso, certamente, fez com que me tornasse conhecido dessa forma. Posso dizer que, vejo esse tratamento como algo muito carinhoso e ao mesmo tempo interessante, pois, fora do Borel, sou conhecido como Pedro do Borel, mas dentro da própria comunidade ninguém me conhece assim. Lá, sou conhecido como Pedro da JOCUM.

Lagoinha.com – Fale um pouco sobre missões em periferias. Há algo específico nesse tipo de evangelismo?

Pedro do Borel – Acredito que não há algo específico para evangelizar pessoas de classes sociais e locais diferentes. Nós quem colocamos essa moldura. Independente do segmento, precisamos ter, primeiramente, amor pelas pessoas. Talvez, pelo fato dela ser rica ou pobre, o Senhor nos dará estratégias diferentes. Mas vejo que, antes de qualquer coisa, temos que entender, conviver e sentir as pessoas que queremos evangelizá-las. Com essa bagagem, ou seja, com mais conhecimento de causa, teremos mais confiança para abordá-las. Ressalto ainda que, somente com a convivência diária, é que teremos as condições necessárias para evangelizar as pessoas da periferia e, dessa forma, expandir o reino de Deus.

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Pedro do Borel ministra no Desperta Igreja

Lagoinha.com – Você tem um trabalho específico nas periferias que envolve o funk. Há preconceito com esse tipo de música? Como você lida com essa situação?

Pedro do Borel – No Rio de Janeiro, o funk é algo muito forte. Quando encontro com os funkeiros famosos do morro do Borel, sempre digo a eles que se o funk fosse usado para educação, ele agregaria mais valores. Acredito que, muitas pessoas, até mesmo aquelas que não são cristãs, também não gostam do ritmo. Já muitos cristãos avaliam o funk como algo do diabo e não de Deus. Particularmente, não vejo o funk como algo do diabo e, sim, de Deus. A música é algo do Senhor e Ele capacitou pessoas com dons e talentos. O fato é que, certas pessoas não estão usando esses dons e talentos de forma que venha edificar vidas. Confesso que, gosto muito da batida do funk, mas as letras são a minha maior resistência, pois grande parte das músicas funkeiras utiliza letras que vão totalmente contra os valores sociais e de Deus. Tenho um filho de 14 anos, que escuta funk, e sempre fico atento às letras, a fim de orientá-lo a respeito delas. Vejo que é importante termos consciência daquilo que estamos ouvindo. A letra de uma música contém uma mensagem, que dependendo do momento em que estamos vivendo, pode, até mesmo, influenciar a nossa vida e o nosso estado emocional.

Lagoinha.com – Conte uma experiência marcante com missões.

Pedro do Borel – Um dia, eu estava no morro do Borel; olhei para uma cruz que fica lá no alto; e comecei a refletir. Naquele momento, lembrei-me da crucificação de Cristo e, logo em seguida, os meus pensamentos se voltaram para a minha igreja, que de 6 em 6 meses organiza uma caravana para Israel. Confesso que, imediatamente, senti uma vontade imensa de conhecer o país. Então, comecei a conversar com Deus e a dizer como seria um privilégio estar onde Jesus esteve; andar por onde Jesus andou, entre outras coisas. A partir daquele dia, fui orando e também conversei com o meu pastor se não haveria a possibilidade de um dia, eu ir a Israel. Porém, o mais interessante dessa experiência, foi o que o Senhor me disse: “Pedro, o privilégio não é você estar onde eu estive e nem andar por onde eu andei. O privilégio é você permitir que eu ande por lugares onde eu nunca estive e nem pisei por meio de você”. Como aquilo me emocionou. Então, irmãos, missões é você permitir que o Senhor te use para estar em lugares onde Ele não esteve e com pessoas que ainda não O conhecem.

Fotos: Jean Assis, Internet

:: Cristiane Soares