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Vida Cristã

A arte de ouvir

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Foto: unsplash.com

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Já nascemos com a capacidade de fazer barulho, exceto nos casos de deficiência do aparelho fonador. O choro é a forma que o bebê tem de chamar atenção, reclamar de qualquer incômodo e pedir alimento. A princípio, a audição pode não lhe parecer tão útil. No decorrer da vida, porém, haverá a necessidade do equilíbrio entre falar e escutar. Embora sejam duas habilidades valiosas, encontramos na Bíblia uma ênfase maior sobre a importância de ouvir (Pv 1.5; 8.33; 2.2; 4.1; 5.1-7; 7.24; 8.6-32; 13.1; 19.27; Jr 6.17; Is.41-26; Dt 28.1-2,15).

“O Senhor Deus me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem” (Is 50.4).

“Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim. Ouvi e a vossa alma viverá” (Is 55.3).

“Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor” (Ez 37.4).

“Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos” (Ec 5.1).

Certa vez, o Senhor disse, em tom de pesar: “Ah, se Israel me ouvisse… Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz. Oh, se o meu povo me tivesse ouvido… Em breve Eu abateria os seus inimigos e viraria a minha mão contra os seus adversários, e o sustentaria com o trigo mais fino, e o fartaria com o mel saído da rocha” (Salmos 81.8,11,13,14,16).

“Ah, se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então, seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar” (Is 48.18).

Queremos fazer e dizer tantas coisas, mas precisamos também parar e ouvir, como Maria, que se aquietava aos pés de Jesus (Lc 10.39). O ativismo pode se dar na direção errada, quando não se ouve, com antecedência, as orientações e instruções necessárias. Digamos como Samuel: “Fala Senhor, porque o Teu servo ouve” (1 Sm 3.10).

Valorizamos tantas aptidões humanas, mas não costumamos destacar aquela que Tiago enfatizou: “Portanto, meus amados irmãos, todo homem seja apto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar” (Tg 1.19). Falar e irar antes de ouvir pode ser a fórmula do desastre. Até as pessoas dotadas de autoridade precisam ouvir antes de julgar e decidir.

Na comunicação de Deus com os homens, Ele envia a Sua Palavra, mas será que a recebemos corretamente? Precisamos receber com atenção o que Ele nos diz. Em relação à Bíblia, tanto na época de seus escritores quanto agora, é importante ouvir a história, a lei, os profetas, o evangelho, enfim, cada parte com seus propósitos específicos. Quem se recusa a ouvir anula os resultados positivos que a Palavra teria, restando-lhe apenas o efeito condenatório.

“O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9). A qualidade da nossa oração está diretamente ligada ao nosso conhecimento bíblico. Quando ouvimos a Palavra de Deus, ela entra em nós e passa a falar de dentro para fora, ecoando na consciência, nos conceitos e no que falamos. Ela age e produz frutos de acordo com a receptividade dos nossos corações. Entretanto quem rejeita a palavra conserva sua própria ignorância e incredulidade.

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10.17).

Precisamos ser cautelosos em relação ao que ouvimos, pois a nossa fé é determinada e afetada por isso. Eis aqui um bom motivo para rejeitarmos certos tipos de música que funcionam como veículos de ensinamentos malignos. Não podemos esquecer que o primeiro pecado humano surgiu justamente de uma tentação verbal.

Voltando à Palavra de Deus, a leitura, ainda que essencial, não substitui a audição (ou a linguagem de sinais). Por essa causa, o ministério da pregação é tão importante. O Senhor não disse “ide por todo o mundo e entregai uma Bíblia a cada criatura”. Podemos fazer isso, mas Jesus disse: “Ide e pregai o Evangelho”.

Finalmente, depois de ouvir, precisamos obedecer. “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem sensato, que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava construída sobre a rocha” (Mt 7.24-25). “Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.21-22).

:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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