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Vida Cristã

A igreja abandonou seu papel quando começou a falar de política?

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Foto: Centro Hub

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Não é raro ver críticos cristãos argumentarem que não é o papel da “igreja” tratar sobre questões políticas. Que isso foge a suas responsabilidades e do seu papel, que a igreja usa da fé dos fieis para doutriná-los e etc… É até compreensível quem não conhece e não tem familiaridade com as Escrituras pensar deste modo, e não entender qual o papel da igreja. Mas a questão que mais surpreende é quando cristãos, que leem e conhecem as Escrituras fazem a mesma coisa. De modo a esclarecer esta questão, duas perguntas precisam ser respondidas.

O que é a igreja?

A palavra “Igreja” vem traduzida do latim “ecclesia”, uma palavra já traduzida do grego “ekklesia”. No grego, esta palavra significa “assembleia pública”, ou “reunião dos que foram chamados”. É normal escutar que ekklesia significa “chamados para fora”, isso acontece porque originalmente a palavra grega é formada pelos radicais “ek” que significa “fora” e “klesia” que significa “chamados”. Ou seja, igreja não é um local. Igreja são pessoas, e que se reúnem em assembleia. Igreja sou eu e você!

Biblicamente falando, algumas passagens retratam que igreja é esta reunião de pessoas (Hebreus 2.12; Atos 7.38) e que a unidade enquanto igreja de Cristo, independe da denominação (Apocalipse 5.9-10;1 Coríntios 7.17; Romanos 16.16; Efésios 1.22).

Mas entendido o que é, ou melhor, que nós somos igreja, é necessário responder a segunda pergunta.

Qual o papel da igreja, ou seja, qual o nosso papel enquanto igreja?

Para entender este papel, temos que compreender em primeiro lugar o mandamento dado por Jesus em Mateus 22.37-40 que diz: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. “Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

Temos que amar a Deus sobre todas as coisas, e apreender o que é o amor Dele, para que possamos amar ao próximo com o mesmo amor. E a Palavra nos ensina em 1 Coríntios 13.4-8 que: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece”.

Entendido o amor do Pai, e entendendo também que somos embaixadores de Deus nesta terra como relatado em 2 Coríntios 5.20 “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio”. Devemos levar o Reino do Pai, que está descrito em Romanos 14.17: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

Como igreja de Cristo devemos entender que, para levarmos a palavra de Deus, Seu amor e Seu reino, devemos ir, estar e exercer influência em todas as esferas da sociedade. A Bíblia nos ensina em Marcos 16.15 que devemos “ir por todo o mundo, para levar o evangelho a toda criatura”.

Nenhum lugar nos foi proibido

É muito importante por sua vez, entender que a igreja não deve querer tomar para si o papel que pertence ao Estado, nem misturar sua função com a função do Estado. Mas enquanto igreja, o cristão também não pode se omitir de querer levar a influência da palavra de Deus no campo político, que é de onde saem as regras de convivência social.

A laicidade do Estado brasileiro prevista na Constituição de 1988 significa que o Estado assume que pessoas de todas as crenças, tenham a liberdade de exercer e professar sua fé. Apesar de muitos entenderem erroneamente que laicidade é a não influencia religiosa nas decisões do Estado brasileiro, a Constituição também garante que possamos exercer nosso papel de influenciador para a formação do Estado, independente da fé que professamos.

A influência é permitida, e validada pelo voto da maioria quando assim é de interesse geral. A imposição, sem possibilidade de contraponto que é errada, e inclusive não deve ser aceita por ninguém, nem pelos cristãos. Estar em todas as esferas influenciando e exercendo seu papel enquanto embaixador de Cristo na terra, a fim de melhorar a sociedade, é uma tarefa de todos os cristãos, seja na área política, seja na educação, na saúde, no campo social ou em qualquer outra área. Cada um tem chamado profissional específico, e é neste lugar que se deve ser a luz de Cristo. O campo político não é o único onde isso deve ser feito, mas não deixa de ser um deles.

Que a sabedoria e a graça do Pai nos capacite para sermos luz e sal nesta terra, sem nos desviar do nosso foco principal que é amar a Deus e ao nosso próximo. E sem sermos corrompidos, que possamos representar o Reino de Deus em todo lugar e levá-lo a toda criatura com o amor que o Pai nos ensinou.

:: Dayanna Fagundes Silva – Grupo de Ação Política – GAP

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