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Vida Cristã

Compra e venda de pessoas

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Foto: pixabay.com

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“Vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não tocaremos nele, afinal é nosso irmão, é nosso próprio sangue”. E seus irmãos concordaram. Quando os mercadores ismaelitas de Midiã se aproximaram, seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito”(Gênesis 37.27-28).

A história da humanidade está, infelizmente, repleta de exemplos de compra e venda de pessoas como algo natural. O mais forte ao dominar o mais fraco comercializa-o como objeto, repassando seus direitos de propriedade para outro igualmente forte. Este é o sinistro contexto, de forma bastante simplificada, que fundamenta a escravização humana.

Incrível como tendemos a ter pouca empatia com a condição de vida dos escravos adquiridos aos milhares em batalhas históricas, sejam elas bíblicas ou não, mas muita comoção em poucos casos isolados descritos sob um contexto específico.

“Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: “O que me darão se eu o entregar a vocês?” E fixaram-lhe o preço: trinta moedas de prata.” (Mateus 26.14-15)

José, um irmão mais novo, e Jesus, o Messias prometido, foram comercializados por prata como escravos e suas dores, ao perderem sua dignidade, nos causam profunda constrição… Infelizmente os processos de compra e venda de José e Jesus não são exceções históricas, eles aconteceram aos milhares ao longo dos séculos e de forma extremamente traumática.

Em nosso dia a dia dificilmente desafiamo-nos a refletir sobre as dores inerentes à vida do escravo desconhecido, que perdeu o direito de se pertencer simplesmente por que foi dominado. A escravidão em todo e qualquer contexto não dignifica o mais forte, pelo contrário, subjuga-o ao pesado fardo da insensibilidade e da insensatez.

Infelizmente, o desejo de dominar sobre o outro é tão antigo quanto a história da humanidade e a Bíblia está repleta de exemplos. Hoje o sentimento é o mesmo, mas em outra roupagem. Pode estar diretamente relacionado a dinheiro como no criminoso tráfico internacional de pessoas e órgãos ou fora do contexto financeiro quando buscamos vender nossa imagem e nossos valores.

Consumimos por cultura, por crença, por moda, por aceitação, para provar algo, para atender alguém, por necessidade, por consciência e por inconsciência. Estamos imersos em uma era onde a busca pelo padrão ideal faz com que pessoas menosprezem outras, escravizando-as a aceitar, em alguma medida, o desprezo por sua condição fora do padrão.

“O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas” (Martin Luther King).

Me pergunto o que aconteceria no mundo se os exemplos discutidos aqui servissem de reflexão para que a igreja de Cristo se levantasse contra todo e qualquer sistema escravizador…

:: Kilvia Mesquita

Dra em Economia pela UFMG, professora universitária, palestrante e autora do livro “Os 40 ladrões que existem em você: como identificar e superar a autossabotagem financeira”. Siga a Kilvia no instagram e obtenha dicas de finanças Pessoais.

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