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Vida Cristã

Cristão e política: Qual sua visão sobre política?

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Foto: pexels.com

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Recentemente ouvi um palestrante contar uma história da sua infância numa conferência. De repente, ele exclama: “então olhei para os olhos da minha mãe, aqueles olhos azuis da cor da Terra”. Então eu pensei: olhos azuis da cor da Terra? Terra é escura… Não seria azul da cor do mar? Azul piscina? Azul turquesa? Mas no mesmo instante entendi porque ele via a terra da cor azul.

O palestrante era o astronauta Marcos Pontes. Incrível que do ponto de vista de um astronauta, a terra é azul. Recordei-me da famosa frase de Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pelo espaço, em 1961: “a Terra é azul!” O astronauta desfrutou da experiência de enxergar a Terra lá do espaço, e ele viu este planeta azul. Para mim, a primeira cor da terra que me vem à mente, é a cor marrom. Por mais que eu tenha estudado, tenha visto em livros fotos da Terra feitas a partir do espaço, no meu dia a dia, olho para o chão e vejo a terra marrom. Questão de perspectiva. Ponto de vista. Entendimento. Experiências.

A forma como eu enxergo o mundo ao meu redor é limitada pelas minhas experiências, pelo meu entendimento e, mais ainda, é limitada pelo lugar onde me encontro. Em nosso dia a dia expomos nossas opiniões sobre diversos assuntos, carregadas de experiências que vivenciamos, sejam elas positivas ou não, exaradas a partir de um ponto de vista, seja amplo ou limitado. Atualmente, tem-se discutido muito sobre política. Infelizmente, brigas e rompimento de relacionamentos ocorreram por causa deste assunto.

Mas o que é política?

A palavra “política” tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em Pólis (cidades-estado), deriva de politikós, do grego, e diz respeito àquilo que é da cidade, da pólis, da sociedade, ou seja, que é de interesse do homem enquanto cidadão. Ao longo do tempo, o termo política deixou de ter o sentido de adjetivo (aquilo que é da cidade, sociedade) e passou a ser um modo de “saber lidar” com as coisas da cidade, da sociedade. Assim, fazer política pode estar associado às ações de governo e de administração do Estado. Por outro lado, também diz respeito à forma como a sociedade civil se relaciona com o próprio Estado.

Caro leitor, qual sua visão sobre política? Pode ser que você, neste exato momento, esteja pensando que este é um tema que nem deveria ser abordado neste site cristão. Qual sua opinião acerca da Igreja ser relevante na política e na sociedade? Já pensou em olhar tudo isto sob outro prisma?

Por que o cristão deve se envolver com a política?

Como cristãos, nós recebemos o mandato cultural. Lemos em Gênesis 1.28: “E Deus lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai e enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que se move sobre a terra”. Somos portadores da imagem de Deus, moldamos o mundo que nos rodeia e o adaptamos a uma diversidade de usos. Devemos nos envolver intencionalmente para exibir a glória de Deus por meio de nossas habilidades técnicas, intelectuais, morais, culturais, políticas. Aonde o Reino de Deus chega as trevas são dissipadas, a sociedade é transformada.

Por causa deste mandato cultural, podemos estabelecer o Reino de Deus, com a cultura do céu também sobre a política. Importante lembrar que isso não fere a laicidade do Estado brasileiro. A Constituição Federal de 1988 prescreve a não existência de religião oficial. Não se privilegia uma religião. Assim, já no seu Preâmbulo, institui um Estado assegurador da liberdade, da igualdade e da justiça como seus valores supremos, para a formação de uma sociedade pluralista e alicerçada na harmonia social.

Desta forma, o cristão tem o direito e o dever de participar na vida e na organização da sociedade política e não pode ser impedido de participar simplesmente porque professa a fé cristã.

Visão sob perspectivas

Por fim, relembro aqui a história bíblica de Josué e Calebe, relatada em Números 13 e 14. O povo de Israel havia saído do Egito com Moisés em busca da terra prometida e viveram 40 anos de muitos desafios. O texto nos informa que Moisés envia Josué e Calebe e mais 10 homens escolhidos, um de cada tribo, para espiar a tão sonhada Canaã, a terra prometida que Deus estava por dar a Israel por herança.

Queriam saber sobre os habitantes dela e se realmente era como Deus havia falado. O relato dos espias foi que lá havia muita coisa boa: cachos de uvas, romãs, figos, leite e mel! Entretanto, a maioria dos espias preferiu enaltecer a adversidade e comentar: “As cidades são fortificadas e mui grandes; e também ali vimos os filhos de Anaque (gigantes)”.

Calebe tomou a frente e disse: “Certamente subiremos e a possuiremos em herança; porque seguramente prevaleceremos contra ela”. Outros continuaram a temer e reclamar dizendo: “É terra que consome os moradores; [somos] como gafanhotos aos seus olhos”.

Incrível como foram distintas as visões acerca de uma mesma terra. Alguns espias enxergaram problemas, dificuldades. Isto talvez porque viveram 40 anos de lutas, tiveram experiências ruins e não vislumbraram salvação. Outros viram uma grande oportunidade, esperança e grande vitória. Questão de perspectiva. Ponto de vista. Entendimento. Experiências.

Há várias formas de enxergar a mesma Terra. E o mesmo se aplica à visão sobre política. Podemos enxergá-la como oportunidade para cumprirmos nosso mandato cultural, para trazer o Reino de Deus sobre nosso país, para cumprirmos a grande comissão e para sermos sal e luz no Brasil. Que tal utilizar a política como meio para transformar nossa nação?

:: Miriam Caetano – Grupo de Ação Política – GAP

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