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Vida Cristã

Cristão e política: “terrivelmente cristãos”?

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Foto: Legacy Jovens

Foto: Legacy Jovens

O jargão “terrivelmente cristão” ganhou notoriedade por meio da Ministra Damares Alves. No início de janeiro deste ano, em seu discurso de posse no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos ela disse: “O Estado é laico, mas esta Ministra é terrivelmente cristã”. E recentemente, o Presidente da República a parafraseou, na ocasião em que garantiu escolher um Ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal.

Diante de tais declarações, críticas não faltaram para questionar a verdadeira laicidade do estado e a (im)possibilidade de se ter um cristão à frente de um relevante cargo público. Antes de adotarmos qualquer posicionamento, sobretudo aquele de senso comum, apenas replicado sem qualquer crivo crítico, cabe a nós, a compreensão de dois preceitos básicos:

1) Biblicamente, isto é relevante para uma nação?
2) Legalmente, é equivocado designar um cristão para o cargo de Ministro?

Onde estão os “terrivelmente cristãos”?

A história de Israel é marcada por homens e mulheres “terrivelmente cristãos”. Desde os primórdios da formação deste povo, homens comuns selaram sua geração a partir da crença inabalável do que Deus poderia fazer na nação de Israel, por meio da fé de cada um deles.

Uma síntese destes feitos pode ser encontrada em Hebreus 11. Abraão, por exemplo, deixou sua terra, sob a promessa de uma cidade cujo construtor era Deus. Moisés, igualmente, deixou o Egito, sem temer a ira do rei, ficando firme ao vislumbrar o que ainda era invisível.

Destacamos também a história de Neemias que, não apenas lamentou a destruição dos muros de Israel, mas também trabalhou incessantemente até a total reconstrução dos muros de sua cidade. Neemias enfrentou forte oposição de Sambalate e Tobias, mas ainda assim não esmoreceu. Ele sabia da responsabilidade que lhe pesava nos ombros em relação ao seu povo.

Salomão, por sua vez, pediu a Deus sabedoria para governar o povo de Israel, pois tinha consciência de que o conhecimento humano era insuficiente para conduzir uma nação em verdadeira justiça e paz.

Influenciadores cristãos de geração em geração

São muitos os exemplos de pessoas radicalmente cristãs que, por meio da fé no poder transformador de Deus, influenciaram o povo e mudaram o curso da nação. Ao longo da história da humanidade, muitas outras figuras marcaram sua geração por meio da fé, como Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Winston Churchill, Nelson Mandela, dentre tantos outros.

Alguns deles tiveram que desafiar as leis vigentes para defender a justiça. Nós, entretanto, estamos sob a égide de uma Constituição conhecida como Carta Cidadã por ser uma das mais ricas em direitos e garantias fundamentais. Uma destas garantias diz respeito à liberdade de exercermos publicamente a nossa fé.

Direitos e garantias

A Constituição garante que ninguém pode ser privado de direitos em razão de sua religião. Ora, se a nomeação de um Ministro evangélico é questionada, justamente com base na profissão de fé deste individuo, estamos diante de uma grave afronta à Constituição, lei maior do nosso país.

Uma vez respeitados os requisitos constitucionais para indicação de um ministro ao STF, previsto no art. 101. São eles: reputação ilibada; notável saber jurídico e estar com mais 35 e menos de 65 anos de idade, não há qualquer impedimento legal para nomeação de um Ministro evangélico. Qualquer barganha ou crítica neste sentido, não passa de um preconceito em face da fé cristã.

A luta dos “terrivelmente cristãos”

Assim como na história de Israel, em que homens e mulheres radicalmente cristãos revolucionaram a comunidade da época, precisamos também de brasileiros terrivelmente apaixonados pelo Brasil que se apoiam na justiça, na paz e na alegria para transformar o caos em que vivemos em um espaço propício para o crescimento econômico e social.

Possuímos o dever não apenas bíblico, mas cívico de cooperarmos para o desenvolvimento do nosso Brasil. Nenhum destes “terrivelmente cristãos” lutaram sozinhos. Embora enfrentassem forte oposição de alguns segmentos (o que é natural e saudável), contaram com o respaldo de outros cidadãos que, juntamente com eles, lutaram sem receber a recompensa, mas vendo-a de longe abraçaram-na na certeza de um futuro próspero e justo.

Que sejamos assim, ousados e perseverantes. E que, mesmo em meio à nebulosidade, possamos enxergar de forma convicta a concretização dos planos de Deus para Brasil.

:: Flávia Raíssa Said de Roure – Grupo de Ação Política – GAP

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