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Vida Cristã

Cristão e Política: uma Igreja sem paredes

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Foto: unsplash.com

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Por muitos anos a Igreja se manteve entre quatro paredes no que se refere a assuntos políticos. Era normal ouvir a frase “religião e política não se misturam”. Com isso, as ideologias contrárias ao que a Bíblia nos ensina foram avançando e tomando a esfera política. Mas nos últimos anos a Igreja entendeu a abrangência do seu papel, que ser Igreja é ser ekklesia, e está novamente caminhando para ser influenciadora das decisões políticas tomadas em nosso país.

Ekklesia é o termo grego usado por Jesus para se referir à “igreja” (Mt 16.15-17), que assumiu seu papel político: influenciar a sociedade na qual ela está inserida. Ekklesia significa “chamados para fora” (ek significa “para fora” e klesia, “chamados”). Na época de Jesus, essa interpretação de igreja trouxe implicações tanto para seu chamado eclesial como para seu chamado cultural.

No exercício de sua missão eclesial, a ekklesia realizava reuniões de oração e de ensino da Palavra em locais públicos e, dessa forma, cumpria o “ide fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo e ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu (Jesus) tenho mandado” (Mt 28.19,20).

No exercício de seu mandato cultural, os cristãos atuavam social e politicamente em sua comunidade com vistas a influenciar as diversas esferas da vida. Uma das formas era pela participação na ekklesia, uma espécie de instituição legislativa, composta por cidadãos – homens livres, com propriedades, que se reuniam em locais públicos e abertos para tomar decisões sobre a cidade (a polis). A ekklesia era o mais importante espaço e instrumento de participação política da época. Curiosamente, as reuniões aconteciam “fora dos portãos das cidades”, como alusão ao próprio nome.

O chamado de Deus para Sua Igreja não mudou. Enquanto discípulos de Jesus, temos a missão de multiplicar o Evangelho, fazendo discípulos por todo o mundo. Ademais, enquanto temporariamente cidadãos terrenos, somos chamados para influenciar a sociedade na qual vivemos, para defender os princípios e as leis de Deus em nossa nação. Somos ekklesia, somos chamados para fora.

Lembremo-nos, contudo, que cumprir essas missões implica lutar, implica guerrear. Ao edificar sua ekklesia (Mt 16.18), Jesus apontou para a realidade da batalha: Ele afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Se a ekklesia avançasse pelas portas, se ela lutasse e adentrasse os espaços ocupados pelo maligno, ela venceria, pois essa era a promessa de Deus para Sua Igreja.

Embora o mundo esteja sob a influência do maligno (1 Jo 5.19) e, portanto, as diversas áreas estejam, por ele, ocupadas, quando não, completamente dominadas, à Igreja de Cristo foi dada a autoridade e a missão de retomá-las e estabelecer o Reino de Deus nesta terra. À Igreja já foi liberada a palavra de vitória para vencer a batalha entre a verdade e a mentira, o bem e o mal, a violência e a paz, a justiça e a corrupção, a vida e a morte. Cabe a nós, ekklesia, guerrear por meio da oração e da ação.

A Igreja tem, cada vez mais, se levantado em oração e em ação para ocupar espaços na sociedade e na política. Isso tem gerado resultados nítidos, como a maior renovação já vista no Congresso Nacional pela eleição de 2018, em grande parte apoiada pela Igreja; o aumento de membros na bancada evangélica na Câmara Federal dos Deputados, passando de 78 deputados (da legislatura atual) para 91 deputados (nesta próxima legislatura); o Ministério dos Direitos Humanos sendo ocupado por uma pastora notoriamente reconhecida na luta pela defesa da vida e família, temas estes que também ganharam protagonismo no Congresso Nacional nos últimos anos. Enfim, nós, enquanto Igreja, entendemos nosso papel de influenciadores, e não expectadores, das decisões a serem todas em nosso país. Que essa mesma Igreja continue se posicionando e influenciando positivamente a nossa sociedade conforme nos ensina a Palavra de Deus. Sejamos ekklesia!

:: Dayanna Fagundes Silva (Adaptado) [Grupo de Ação Política – GAP]

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