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Vida Cristã

Cristão e Política: xeque-mate

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Foto: unsplash.com

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Após o término da Copa do Mundo, um dos assuntos mais badalados dos noticiários nacionais são as eleições de outubro. Em menos de três meses decidiremos, mais uma vez, os rumos dos nossos estados e da nossa nação.

A maior parte dos brasileiros tem na “ponta da língua” o nome dos presidenciáveis, quais soluções oferecem para o país, o histórico de vida de cada um e o porquê se deve ou não votar neles.

Isto é positivo. O voto consciente perpassa necessariamente pelo conhecimento das propostas e pela conduta do candidato ao longo de sua história política. Certamente alcançaremos melhores resultados, a partir do momento que nos atentarmos a estes dois aspectos tão fundamentais na escolha do nosso candidato – Xeque.

Todavia o mesmo entusiasmo ou empenho não é percebido quando o assunto é o Poder Legislativo. Além de presidentes e governadores, temos a responsabilidade de definir quem serão os parlamentares que ocuparão os cargos de deputado estadual, deputado federal e senador.

Os brasileiros têm o costume de centralizar a política na figura dos representantes do Executivo. Sobre eles recaem toda culpa pelos problemas que vivemos e, igualmente, sobre eles reside toda esperança de um Brasil melhor, como se fossem pessoas dotadas de superpoderes, que sozinhas podem tirar o país do lamaçal.

Não é à toa que pessoas tatuam a imagem de seus políticos favoritos, compram brigas ferrenhas com quem pensa diferente e fecham os olhos para tantos escândalos de corrupção e incongruências nos discursos proferidos. Isto, porque acreditam que seus personagens políticos são seres imaculados.

Entretanto os representantes do Executivo não podem sozinhos transformar o Brasil. Existem outras peças neste tabuleiro que são imprescindíveis para o nosso Xeque-mate. As casas legislativas são responsáveis por elaborar leis e fiscalizar o Poder Executivo. Quando não damos a devida importância a esse papel, deixamos o jogo aberto e totalmente vulnerável para atuação perversa de parlamentares que usam seu poder para interesses escusos.

Quantas vezes padecemos por leis injustas que favorecem os mais poderosos? Recentemente o pacote das “10 medidas contra a corrupção”, projeto de lei de iniciativa popular, foi brutalmente descaracterizado em razão de alterações que serviam apenas para acobertar ações de corrupção.

Assim, a mobilização de milhões de brasileiros foi completamente ignorada em detrimento de um grupo de pessoas que só pensam em si mesmas.

Essa realidade só será transformada no dia em que compreendermos a seriedade do voto e as drásticas consequências de encará-la como um fardo, esquecendo-nos de que o próprio Deus dá demasiada importância à função exercida por aqueles que elaboram nossas leis.

Em Isaías 10.1 o Senhor diz “Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores”. Se hoje temos homens e mulheres elaborando leis injustas, é porque temos homens e mulheres que não dão verdadeira importância ao voto, sobretudo no que diz respeito aos cargos do Legislativo.

É muito comum nos esquecermos dos nomes de quem votamos nas últimas eleições para vereador e deputados. Esquecemo-nos também dos partidos a que estas pessoas pertenciam. Alguns eleitores se esquecem até mesmo de verificar se o seu candidato se elegeu. No decorrer do mandato, muitas vezes não sabemos o que se discute nas casas legislativas e nem quais bandeiras são levantadas por lá.

Até quando teremos o hábito de negligenciar a relevância dessas figuras? Até quando não nos atentaremos ao que é discutido, votado e aprovado nesses espaços?

Portanto não perca a oportunidade de semear a justiça nas leis que serão elaboradas na próxima legislatura. Se nos atentarmos aos atos do Legislativo tanto quanto nos atentamos ao Executivo, daremos um xeque-mate no tabuleiro na corrupção.

:: Flávia Raíssa Said [Grupo de Ação Política – GAP]

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