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Vida Cristã

Examinai tudo. Retende o bem

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Foto: pixabay.com

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“De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5.12-14).

O escritor da Carta aos Hebreus fez um paralelo entre a alimentação de um bebê e a condição espiritual dos cristãos. Eles são reprovados por não terem crescido na vida cristã, por continuarem sendo como criancinhas recém-nascidas que necessitam de leite, não suportando ainda alimentos sólidos, ou seja, um ensino espiritual mais profundo. Segundo o autor, eles não conseguem discernir tanto o bem quanto o mal por serem imaturos.

E se esta carta enviada aos hebreus fosse enviada aos brasileiros? Seríamos considerados aqueles que sabem discernir tanto o bem quanto o mal? Ou seríamos considerados como bebês, inexperientes e inaptos de consumir alimento sólido? O que temos consumido diariamente?

Qual a fonte das informações que temos lido e repassado a outros?

Presenciamos um crescimento gigantesco no número de informações que circulam, sobretudo, via redes sociais. Se por um lado, isso é sinal de maior democratização da informação, por outro, nos deixa em alerta para o risco eminente de uma “desinformação” da sociedade.

Desinformar é diferente de informar mal. A desinformação é considerada por estudiosos uma ação estratégica, que foi utilizada em larga escala por serviços de inteligência para transformar a maneira como o homem e as sociedades interpretam os acontecimentos e a realidade, o que configura um grave problema social. E não falo aqui de fake news. Fake news tendem a ser “escandalosas” e é exatamente essa característica que proporciona sua disseminação exponencial. Mas por ser escandalosa, sua falsidade é facilmente perceptível. Mais prejudicial que as fake news são as informações utilizadas de maneira traiçoeira, que têm como alvo os formadores de opinião. A desinformação falseia informações especializadas e pode ser utilizada como estratégia cultural, educacional e até política.

Além da desinformação, atualmente estamos diante das tecnologias de inteligência artificial. Os recursos de falsificação de áudio e vídeo estão progredindo de maneira impressionante, graças a um impulso da Inteligência Artificial. No futuro, falsificações com aparência realista e sonora constantemente enfrentarão as pessoas. Imersos em áudio, vídeo, imagens e documentos, alguns falsos, outros reais, as pessoas terão dificuldade em saber em quem e em que confiar.

Talvez levem apenas dois ou três anos até que as falsificações de áudio realistas sejam boas o suficiente para enganar os ouvidos destreinados, e apenas cinco anos antes que as falsificações possam enganar pelo menos alguns tipos de análises forenses.

Se você pensou que os sites de notícias falsas eram um problema, imagine um vídeo de um falso discurso de um político. Utilizam o rosto de alguém famoso, e mudam o movimento labial. É possível forjar coisas que alguém não disse, e usar isso em um contexto político ou judicial. Alguns robôs de mídia social já demonstraram capacidade de impulsionar a cobertura da mídia convencional de notícias falsas e até influenciar os preços das ações na bolsa de valores de países. Por isto, é tão importante permanecermos alertas e vigilantes.

Não seja vulnerável

Não se permita permanecer vulnerável à mentira e ao engodo. No livro de Oséias 4.6, lemos: “Meu povo é destruído por falta de conhecimento”. Busque pelo conhecimento da verdade, leia livros e forme um pensamento crítico, não se deixe enganar! Clame a Deus por conhecimento, Ele dá liberalmente a sabedoria. Não se permita servir de instrumento inconsciente para realização de planos que são contra os valores cristãos.

Ao ler ou ouvir uma reportagem, palestra ou discurso, leia a biografia do interlocutor, entenda suas convicções políticas, filosóficas, religiosas. Faça uma análise do contexto histórico no qual a informação foi repassada, leia com muita atenção cada informação e examine os argumentos e as ideias apresentadas.

Então você perceberá que é possível encontrar muitas informações úteis e importantes nas redes sociais e internet. Tal espaço é importante e frutífero, mas também perigoso, sobretudo àqueles que ainda não construíram uma consciência crítica apta a questionar as informações, a consumir alimento sólido. Portanto, busque conhecimento, seja prudente, maduro, apto para discernir tanto o bem quanto o mal. “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5.21).

:: Miriam Caetano – Grupo de Ação Política – GAP

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