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Vida Cristã

O que a sociedade ganhou com a Reforma Protestante

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Imagem: Gospel Prime

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Na última semana, a Reforma Protestante completou 502 anos. Muitos associam este marco histórico a um movimento estritamente religioso, com efeitos apenas no aspecto que envolve o homem e seu relacionamento com Deus.

Por certo, a reforma quebrou paradigmas religiosos/institucionais que há muito anos corroíam a fé daqueles que nunca haviam sequer tocado em uma Bíblia. A igreja da época propagava mentiras e manipulações, a fim de conduzir o povo a uma religião vazia, e que atendia apenas aos interesses egoístas desta classe.

Entretanto, há outra faceta do movimento liderado por Martin Lutero que é pouquíssimo conhecida e divulgada pelos manuais de história. A reforma transformou realidades, por onde passou.

Colossenses 19-20 revela a profundidade das implicações da morte de Jesus na cruz. Ele veio para nos libertar do jugo do pecado, e esta realidade irradia em todas as áreas da nossa vida. “Porquanto foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por intermédio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue vertido na cruz”.

É impossível encarar a salvação a partir de uma perspectiva apenas de resgate da alma. A morte de Jesus reconciliou com Ele TODAS as coisas que estão na terra e nos céus. Isto perpassa pela mudança de aspectos sociais, econômicos e culturais. Por onde passa a luz de Cristo, a transformação é inevitável.

Na época da Reforma, o Estado e a Igreja possuíam uma relação perversa. As duas instituições se misturavam como se fossem apenas uma. Elas trabalhavam em prol de todos os interesses, exceto o do bem comum. Além do confronto de Lutero, outros grandes homens de Deus, como Calvino, também se empenhavam arduamente a fim de destruir esta cultura, que devastou a sociedade da época.

Diferente do que muitos pensam, o conceito de laicidade foi fortemente defendido pelos protestantes. Há várias passagens bíblicas que subsidiam esta separação. Um exemplo clássico é: “Dai, pois, a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus” (Mateus 21.22). Além de outros ensinamentos que podem ser auferidos por esta passagem, Jesus ensina que as coisas de Deus não se misturam com os deveres e obrigações institucionais do Estado.

A história da Reforma Protestante e as mudanças causadas em seu entorno, espelham como tais relações devem se estabelecer nos tempos atuais. Intercessão de princípios e valores difere de intercessão de interesses institucionais.

Perceba que a Reforma Protestante revolucionou a área educacional. Até então, apenas pessoas mais abastadas podiam ser alfabetizadas. Os pobres sequer sonhavam com esta oportunidade.

A Reforma Protestante, por sua vez, baseou-se na dignidade de todo ser humano como obra-prima da criação. Se somos todos feitos a imagem e semelhança do Criador, somos exatamente iguais em direitos e importância. Assim, é nítido como preceitos da nossa fé influenciaram diretamente a construção das bases dos Direitos Humanos e universalidade do acesso à educação.

Assim, é tempo de resgatarmos a essência da nossa fé que, por onde passa, semeia paz, justiça e alegria. Reconhecer os avanços sociais, políticos, culturais e econômicos advindos da Reforma Protestante é um atestado de que, a laicidade possui suas raízes na Palavra Deus. A influência de ideias e valores em nada se relaciona com a imposição de dogmas religiosos, pelo contrário, asseguram ao Estado a liberdade de trabalhar de forma independente e autônoma.

:: Lucas Gonzalez

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