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Vida Cristã

O que justifica a desigualdade de renda no Brasil

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Foto: Fernando Vale

Foto: Fernando Vale

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) divulgou os resultados da pesquisa sobre desigualdade no Brasil. Os dados são inevitavelmente desgostosos para qualquer cidadão deste país. O estudo constatou que os 5% mais pobres do Brasil tiveram um decréscimo de 3,8% na renda domiciliar per capita. Constatou-se ainda que, 50% da população brasileira vive com R$ 413,00 por mês. Isto equivale a menos da metade do salário mínimo. Este foi o pior resultado da história da PNDA contínua.

Julgo que a razão para o aumento da desigualdade possui duas vertentes que estão amplamente conectadas: a crise no mercado de trabalho e o nível educacional da população. A crise econômica iniciada há alguns anos no Brasil, indiscutivelmente, reverbera diretamente neste cenário. Demissões em massa e fechamento de empresas ganham forma de desespero e completa falta de esperança de que em algum momento o Brasil tomará novos rumos.

Os dados mostram que os mais afetados foram os trabalhadores menos qualificados e que, por conseguinte, retornaram ao mercado de trabalho com salários muito inferiores ao que tinham anteriormente. De quem é a culpa? Sobre os ombros de quem pesa a responsabilidade pela disparidade econômica? Alguns vão dizer que recai sobre os políticos, outros pela cultura outros ainda atribuirão a responsabilidade exclusiva de quem padece.

O cenário é complexo e felizmente ou infelizmente é quase impossível nomear um único responsável. Entretanto, como parlamentar sinto-me impulsionado a avaliar as diversas facetas deste problema, para então trabalhar de forma eficaz pelo fim da dispare desigualdade no Brasil.

O caminho para a resolução

Existem diversas formas de construir soluções. Podemos fazê-las de forma rápida e superficial ou podemos cavar até as raízes para encontrar a origem do problema: pensemos na construção de uma casa. Quando perfuramos o solo para construir as bases, a sensação que nos acomete, muitas vezes é de inutilidade. Entretanto, não há outra ordem, senão esta, para se construir um local seguro e duradouro, capaz de resistir ao tempo e todas as suas estações.

A construção de uma nação pode ser comparada com a construção de uma residência. Suas bases culturais dizem tudo sobre a força de sua estrutura e capacidade de resistir diante das adversidades econômicas, das quais todas estão suscetíveis. Indiscutivelmente, o Brasil é um país riquíssimo, em todos os aspectos. Temos recursos naturais invejáveis e, como se não bastasse, estamos diante do maior bônus demográfico da juventude brasileira. Isto é, não nos falta força de trabalho.

Todavia, é preciso retomar as vigas que, verdadeiramente dão robustez a uma nação. No Brasil, criou-se a ideia de que empresa e cidadão jamais podem caminhar de mãos dadas. Pelo contrário, estão sempre em direção oposta. Este sentimento gera, no entanto, forte entrave para o desenvolvimento do país, tanto no que tange à geração de emprego, quanto na expansão e desenvolvimento de novos mercados e tecnologias.

A enorme capa protetiva e os infindáveis tributos que envolvem a contratação de um funcionário, quando não impedem a contratação de milhares de pessoas, acabam por reduzir os valores salariais, a fim de viabilizar de algum modo a contratação. O efeito cascata disso é a produção reduzida e o desenvolvimento apequenado do setor de serviço e indústria.

Assim, é cristalino o modo como uma cultura influencia as estruturas normativas de uma nação e ditam o quão forte ou frágil ela será. A educação apresenta-se com a ferramenta necessária para sairmos deste verdadeiro lamaçal. Neste quesito, destaco a urgente necessidade de investirmos em educação voltada para o futuro, que nada mais é que o ensino da tecnologia.

A responsabilidade da igreja para o progresso

O Brasil possui total condição de estar ao lado das principais economias mundiais. E para isso, urge a necessidade de reformular o modo como enxergamos a educação. Não basta enchermos salas de aula e apresentamos números altíssimos de aprovação. É preciso investir em educação de qualidade que permitirá que nossa indústria seja fortemente competitiva no cenário internacional. Assim, seremos um celeiro de empregos de qualidade, que remuneram bem e contribuem para o progresso da nação.

Neste sentido, a igreja tem grande responsabilidade. É impensável nos mantermos inertes diante deste cenário. Não apenas a história do protestantismo, mas a sua origem nos remete ao inconformismo com o erro e a injustiça. Nascemos com o propósito de sermos sal da terra e luz do mundo. Isto implica necessariamente estarmos em constante dissintonia com o habitual. O país precisa passar por uma profunda reforma cultural para que nossas estruturas sejam mais justas e propícias para geração de riqueza. Que sejamos não apenas inspiração, mas construtores destes pilares.

:: Lucas Gonzales

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