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Vida Cristã

Profeta Oséias e a justiça social

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Foto: pexels.com

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“Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós” (Oséias 10.12).

Os organizadores do cânon bíblico do antigo testamento fizeram bem colocando Oséias como o primeiro do Livro dos Doze, sendo essa a maneira judaica de descrever a coleção dos chamados profetas menores, ou seja, aqueles que tem os livros mais curtos Cronologicamente, Oséias viria poucos anos depois de Amós, mas do ponto de vista lógico merece vir primeiro.

É o livro mais longo dentre os profetas menores. Porém, mais do que isso, nota-se que teologicamente é o mais completo. Oséias abarca os grandes temas proféticos da aliança, do julgamento e da esperança. Descreve o relacionamento pessoal entre Deus e o profeta de modo mais amplo do que qualquer outro de seus onze colegas.

Suas lições biográficas preparam o caminho para Jonas, enquanto sua magnífica interação entre julgamento e esperança antevêem Joel, Miquéias, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Ao pregar a justiça, Oséias pregava a fidelidade a um Deus vivo e pessoal, não a um código social escrito. Ele sabia que havia um código escrito, a lei da aliança do Sinai, mas esse só tinha importância na medida em que orientava uma relação pessoal com Deus, que se concretizava na justiça social.

Por isso é importante ressaltar que buscar justiça social não é monopólio de alguns setores político-ideológicos, os quais essencialmente são até mesmo anticristãos.

Antes de ser uma bandeira política, vemos que justiça social é um temática bíblica, sendo que é próprio de satanás tentar imitar a Deus, para que assim ele influencie os homens na construção de um mundo sem Deus.

Porém observe que a verdadeira justiça social só encontra sua razão num relacionamento pessoal com Deus, de tal forma que justiça social imposta a força pelo Estado rapidamente se transforma em injustiça de governos ditatoriais, os quais promovem a fome da população e o derramamento de sangue para se manterem no poder.

Justiça faz parte da natureza de Deus. A palavra hebraica “sedeq” indica a retidão do próprio caráter de Deus (Jó 36.3) e o que Ele nos oferece é também o que nos pede num compromisso permanente: justiça como sendo o cumprimento fiel de todas as exigências da aliança para com Ele e para com os outros.

::Mariel Marra
Mariel é teólogo e advogado criminalista, pós-graduado em direito público.

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