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Vida Cristã

Quando as coisas não dão certo

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Foto: unsplash.com

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Há algum tempo, venho refletindo sobre algumas situações, principalmente aquelas que não dão certo em um determinado momento da nossa vida.

Como, por exemplo, aquela vaga de emprego que parecia estar aberta, mas nunca se abre. A viagem dos sonhos, tão perto de se realizar, mas, por causa de um detalhe, não pôde acontecer. O sonho de comprar um carro, que teve de ser adiado por falta de dinheiro. Aquele relacionamento que terminou antes mesmo de começar. Tentativas frustradas. Sonhos adiados ou cancelados. Planos que falharam.

Diante disso, começamos a nos perguntar: por que não deu certo, Senhor? Por que aquele emprego não deu certo? Por que a viagem não deu certo? Por que o namoro não deu certo? Por que eu não fui chamado (a)? Por que, por que, por quê?

A polêmica cura do cego

João 9.1-41 narra a história de um cego de nascença, e nesse texto aparecem algumas perguntas dos religiosos e discípulos de Jesus sobre o cego, sua cura e quem a realizou. Perguntas estas que se parecem muito com aquelas que vêm à nossa mente quando as coisas não dão certo.

A primeira pergunta que fazemos é: existe um motivo para tudo isso que estou passando? E essa foi a pergunta que os discípulos fizeram a Jesus sobre a cegueira daquele homem. Naquela época, os judeus achavam erroneamente que toda desgraça representava uma visitação punitiva de Deus a algum pecado.

Infelizmente, alguns acham isso até os dias de hoje, e que tudo que acontece conosco é por causa de pecado. Outros pensam que, se não fizerem nada de errado, estarão imunes aos problemas da vida. Porém sabemos que nada disso é verdade. Nem sempre os problemas que nos surpreendem na vida são por causa de pecado.

Quem é o culpado?

Outra pergunta que aparece implícita na história é ‘quem é o culpado?’. Apesar da cura milagrosa, os questionamentos sobre a cura do cego continuavam. Nos versos 8 e 10-12 diz que os vizinhos e os que o tinham visto mendigando questionaram a cura. Eles queriam saber quem tinha curado aquele homem.

Assim como os questionamentos foram feitos sobre a cura do cego, muitas vezes nós temos a tendência de querer achar culpado para tudo e todos. Foi assim no Éden (Gênesis 3.11-13) quando Adão culpou Eva, e Eva culpou a serpente. Sempre buscamos culpados para tudo em nossa vida. Buscamos na esposa, nos amigos, no diabo, no marido, nos filhos, na igreja a culpa dos nossos problemas.

Por que Deus não impediu?

Outro questionamento que pode vir diante de fatalidades ou situações que não gostaríamos que acontecessem é: por que Deus não fez algo para impedir? Na história descrita em João 9.13-34, os religiosos questionaram a maneira como aconteceu a cura, por ser sábado e por Jesus ser para eles um homem pecador. Também levantaram outra polêmica, desta vez, em relação à veracidade da cura, se não houvera engano, manipulação. Pois como um homem pecador poderia realizar milagres?

Assim como esses religiosos, percebo que muitas vezes questionamos algumas coisas a Deus. Isso é fruto de vários motivos, como, por exemplo, teologias ou ensinamentos que não mostram a realidade da vida e que afirmam erroneamente que o filho de Deus não passa por problemas, lutas, dificuldades.

Acabamos nos esquecendo também do que Ele já fez em nossas vidas, como a salvação, milagres, ações sobrenaturais. Alguns chegam ao ponto de questionarem tanto a Deus, que afirmam que tudo que um dia aconteceu foi puro emocionalismo ou manipulação do pastor “naquele dia”.

Já outros acham que tudo aconteceu porque falharam na busca a Deus em relação ao que tanto queriam, por isso não aconteceu. E chegam a pensar que Deus não atende pecadores, dizendo: “Ele não me atende desse jeito que estou vivendo”.

O que fazer ou pensar?

Então, surge uma questão: se todas essas perguntas não são a melhor maneira de pensar quando as coisas não dão certo, então, o que fazer ou pensar?

João 9.35-41 responde nossa pergunta. A passagem diz que Jesus se encontrou novamente com aquele homem que era cego e viu que a fé dele havia progredido. Antes, um homem que não tinha a mínima ideia de quem era Jesus, agora, já tem compreensão. Os versos 37 e 38 mostram que o ex-cego entende e confessa, crê e adora a Jesus como Cristo, ou seja, como Deus da vida dele, seu Salvador.

Diante disso, o que Deus nos mostra em Sua Palavra é que, quando os questionamentos vierem – e eles podem vir quando as coisas não derem certo -, procure confessá-los a Deus, continue crendo Nele, adore-O sempre, independentemente das coisas darem certo ou não. Pois o que nos sustenta não são os milagres, as respostas, as conquistas; em um elas existem, em outros não. Mas, sim, Deus, que permanece sempre Deus, cuidando de cada um de nós dia após dia.

:: Pr. Bruno Bacelar [Site No Papo Cabeça]

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