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Vida Cristã

Riqueza interior

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Imagem: site estudodedeus.com.br

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O tabernáculo de Moisés poderia parecer apenas uma grande tenda no deserto. A descrição que encontramos no livro de Êxodo nos permite pensar assim. Quem olhasse de longe veria uma estrutura de madeira, peles, tecidos, com algumas peças em bronze e detalhes em prata. Certamente, teria sua beleza, mas a simplicidade seria uma de suas características principais. Porém quem entrasse no santuário veria muitas peças de ouro. No santíssimo lugar, o compartimento mais íntimo, estava a arca da aliança, um grande móvel todo revestido de ouro, tendo sobre si dois querubins dourados.

O valor e a beleza aumentavam de fora para dentro. O propósito não seria impressionar os viajantes do deserto com aparência exterior e ostentação de riqueza, mas estabelecer um simbolismo que associasse valor ao culto e à presença de Deus. Tudo isso nos ensina acerca da superioridade dos valores interiores, invisíveis e espirituais. O que apenas Deus vê é mais importante do que aquilo que possamos mostrar ou exibir aos homens.

O que acontecia no tabernáculo não era um show. O sacrifício, realizado no pátio, era visto por muitos, mas não por qualquer pessoa. Somente os israelitas e estrangeiros convertidos ao judaísmo poderiam ter acesso. O que o sacerdote fazia no santuário ou no Santo dos santos só Deus via. Quem estivesse do lado de fora não veria o que estava dentro ou o que ali acontecia. Poderiam saber alguma coisa, pelo conhecimento informativo. Alguns poderiam ler os escritos de Moisés, como fazemos hoje, e acreditar ou não, mas a experiência concreta não era possível a todos. Assim, podemos confrontar o conhecimento, a fé e a prática, elementos mutuamente dependentes e complementares.

Quem estivesse do lado de fora poderia desprezar o tabernáculo, criticar seu objetivo e funcionamento ou até mesmo acusar os que ali ministravam. A base de tudo isso seria a ignorância e a incredulidade, formadas a partir da mera observação exterior. O tabernáculo, com suas peças e rituais, representa nosso relacionamento com Deus. Não basta saber e crer, é preciso praticar. O tabernáculo não era um museu ou atração turística a ser visitada e admirada. Era um lugar de compromisso, entrega e contato com Deus, na intimidade da Sua gloriosa presença. Era lugar de renúncia, sacrifício, confissão, oração, louvor, comunhão e adoração. Assim, também, a vida cristã não é apenas aparência (que também tem sua importância), mas, sobretudo, conteúdo e essência.

Quem está do lado de fora forma opiniões e convicções, próprias de quem nada viu nem experimentou.

Antigamente, apenas os sacerdotes tinham acesso ao santuário e ao Santo dos santos. Agora, todos nós, como Igreja e reino sacerdotal, temos o direito e a responsabilidade de viver na presença de Deus. O acesso está liberado para todo aquele que crê, pois o caminho foi aberto pelo sangue do Cordeiro, Jesus Cristo.

:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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