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Vida Cristã

Sal e luz ou fogo e enxofre?

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Foto: unsplash.com

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Há quem diga aos cristãos: “Se vocês são contra o sexo antes do casamento, não façam. Se são contra o adultério, não adulterem. Se não concordam com o divórcio, não se divorciem. Cuidem das suas vidas e deixem os outros pra lá”. Não é o que a Bíblia diz. Muitos querem nos calar, mas a Palavra de Deus nos manda não apenas fazer o que é certo, mas proclamar a verdade. Nossa influência começa pelo exemplo e continua com o uso da palavra. A denúncia do pecado pode ser desagradável como um diagnóstico médico, mas o propósito de ambos é positivo. O amor de Deus não pode ser usado como álibi para se continuar no erro, mas, sim, como oportunidade de conserto. Não podemos ser cristãos omissos, que apoiam o erro ou ficam “em cima do muro”.

Vejamos o que Paulo escreveu aos Romanos: “Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também CONSENTEM aos que as fazem” (Rm 1.29-32). Observe que o consentimento também é um erro, é cumplicidade. É o caso de quem não pratica, mas concorda, apoia ou simplesmente não se manifesta nem se opõe.

Jesus disse que nós somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.14-16). O propósito do sal não é dar sabor a si mesmo, mas aos pratos nos quais se encontra inserido. A lâmpada não existe para iluminar a si mesma, mas ao ambiente e tudo que nele está. Assim, os cristãos devem ser influências positivas na sociedade, minimizando as trevas deste mundo. Não representamos a perfeição, mas contribuímos para que se evite a podridão. Não somos melhores do que ninguém e estamos sujeitos a muitos riscos, como uma lâmpada que pode se apagar ou o sal que, caindo ao chão, torna-se inútil. A luz mostra a realidade e pode causar constrangimento aos que amam as trevas (Jo 3.19-21).

Como cidadãos, temos o direito de influir nas leis e costumes. O pretenso Estado laico tem sido, em certo sentido, um refúgio contra a verdade e defesa da libertinagem, como se o seu papel fosse permitir a perversão social, sob o pretexto da não intervenção do governo em assuntos morais ou convicções de origem supostamente religiosa. Entretanto sabemos que as manifestações recentes contra o aborto, a pedofilia e a homossexualidade não são necessariamente de cunho religioso, pois muitos ateus também são contrários a essas práticas. Se nos manifestamos a favor de leis que protejam nossas crianças, logo alguém alega que o Estado é laico. Que seja, mas laico não é sinônimo de imoral.

Porventura os governantes deveriam ser neutros, deixando que as pessoas vivam como quiserem? Nem sempre, pois o resultado seria a anarquia. A Palavra de Deus nos diz: “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para o teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz em vão a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm 13.3-4). Com razão, alguns questionarão o conceito do bem e do mal. Apesar de qualquer dificuldade nesse sentido, os cristãos, onde estiverem, devem ajudar nessas definições, com base na Palavra de Deus. Por outro lado, na qualidade de cidadãos, não nos compete perseguir qualquer pessoa, nem impedir que vivam como quiserem. Nosso papel, como cristãos, é ensinar e influenciar, mas não controlar nem obrigar alguém a fazer o que gostaríamos. Nosso posicionamento deve ser definido e claro, mas isso jamais significará qualquer fiscalização da vida alheia nem a repreensão individualizada, senão no exercício da autoridade que porventura tivermos no contexto familiar ou eclesiástico.

Certamente, cabe a todos nós o respeito às decisões democráticas, tomadas pela maioria, o que não significa que faremos o que afronta as nossas convicções. Assim, poderão surgir leis injustas e costumes imorais que contribuam para a destruição de pessoas, famílias, cidades e nações, como ocorreu em Sodoma e Gomorra. Os sodomitas não quiseram sal e luz. Restou-lhes fogo e enxofre.

:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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