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Vida Cristã

Submissão e autoridade

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Foto: Legacy Hub

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“Emergiu entre os discípulos uma discussão sobre quem, dentre eles, seria o maior. Mas, Jesus, conhecendo os seus anseios mais íntimos, tomou uma criança e a colocou em pé, ao seu lado. Então afirmou: “Quem recebe esta criança em meu Nome, recebe a minha própria pessoa; e quem me recebe, está recebendo Aquele que me enviou. Portanto, aquele que entre vós for o menor, este sim, é grandioso” ( Lucas 9.46-48).

Os acontecimentos narrados antes dessa disputa haviam despertado nos discípulos a esperança de um reino glorioso na Terra, visto que Jesus havia acabado de transfigurar-se diante três discípulos, libertar um jovem possesso que ninguém havia conseguido libertar, bem como predizer a sua morte.

Porém, que lição preciosa Jesus ensinou aos seus discípulos. Se não fosse essa Palavra, assim como também está descrito em Mateus 18, certamente após a morte de Jesus os discípulos iniciariam uma disputa interna pelo exercício do poder, a qual sempre resulta em guerra, divisão e morte.

É possível que no coração de Pedro, Tiago e João houvesse um misto de alegria com soberba por terem sido escolhidos para testemunharem a transfiguração, ao passo que no coração dos demais discípulos que passaram a noite tentando expulsar o demônio daquele jovem possesso houvesse uma mistura de tristeza com frustração.

Diante desse contexto faz sentido pensar nas razões daquele tipo de discussão absurda iniciar entre eles na presença de Jesus, pois tanto o soberbo, quanto o frustrado, ambos tentam se auto-afirmar.

São dois extremos que Jesus rapidamente corrigiu ao usar como exemplo uma criança, isto é, alguém totalmente dependente de outros e fraco em todos os sentidos. Em outras palavras, um ser humano sem poder (desempoderado).

Um paradoxo, pois para Jesus, a verdadeira autoridade está na submissão e humildade, sendo que Ele mesmo colocou em prática este paradoxo ao demonstrar que aquele que for mais semelhante a Cristo em submissão e humildade será mais semelhante a Cristo em glória.

Paulo não estava entre os discípulos quando eles disputaram entre si sobre quem seria o maior, mas ele compreendeu o que Jesus disse naquele dia, tanto que em sua carta aos Filipenses ele escreveu: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” ( Filipenses 2.5-11).

Sabemos que Deus é a fonte de toda autoridade (Sl 103.19) e toda autoridade humana encontra-se primeiramente em Deus (Rm 13.1-7), logo, diante de tudo isso podemos entender que a nossa autoridade deve ser exercida segundo o propósito de Deus e de acordo com Seus princípios eternos.

Assim, o poder deve ser exercido conforme a imagem e semelhança Daquele que delega toda autoridade aos homens, o qual é manso, humilde, justo e misericordioso, caso contrário, fatalmente haverá abuso de autoridade, a qual está desconectada da fonte e portanto deixa até mesmo de ser reconhecido como uma autoridade, mas sim como um usurpador, algo que definitivamente Cristo não é.

:: Mariel Marra
Mariel é teólogo e advogado criminalista, pós-graduado em direito público.

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