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Vida Cristã

Tolerância zero à corrupção

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Foto: pexels.com

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“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o suborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá” (Deuteronômio 16.19-20).

Quem nunca escutou alguém dizer que no Brasil a corrupção é algo natural? Furar a fila, sonegação de tributos, carteirinha falsa, pirataria, fazer hora no trabalho, “gatonet” (furto de sinal de tv) e pagar o “cafezinho” (suborno). Estes são alguns exemplos de corrupção no cotidiano e eu ainda ouço com certa freqüência que “o Brasil não tem jeito”.

Porém, eu nunca vou me conformar com a cultura da corrupção em nosso país. Quando pedi a cassação de um vereador acusado de praticar “rachadinha” na Câmara Municipal de Belo Horizonte, eu ouvi algumas pessoas dizendo que meu pedido seria arquivado, já que a prática desse crime é comum dentro da política.

Eu já havia pedido sem sucesso uma cassação antes, contudo, dessa vez, contrariando todas as previsões pessimistas, o vereador foi finalmente cassado, perdeu seu mandato e encontra-se atualmente inelegível por 8 anos.

Este foi o primeiro caso de cassação de vereador na história de Belo Horizonte, sendo que foi também o primeiro caso de um pedido de cassação promovido por um cidadão comum.

Evidentemente não faço menção disso para me vangloriar, mas sim para demonstrar na prática para o leitor que não podemos nos conformar com essa cultura de corrupção e que nós cristãos temos o poder-dever de fazer a diferença e mudar a cultura de uma cidade, de um Estado e até de um país inteiro.

O ato de furar a fila na Alemanha, por exemplo, ele é criticado abertamente pelas pessoas; Aqui poucos ousam reclamar, já que ninguém quer se passar como “chato” reclamando de algo corriqueiro, porém é preciso desenvolvermos uma contra-cultura de tolerância zero à corrupção.

A cidade de Genebra na Suíça foi o local onde Calvino, reformador protestante do Sec XVI, passou a maior parte de sua vida, pregando, pastoreando e ensinando. Ali sua teologia social amadureceu, à medida em que enfrentava os males sociais que oprimiam Genebra bem como as demais cidades da Europa medieval.

Graves problemas sociais afligiam Genebra naquela época (bem como a Europa em geral). Havia pobreza extrema, agravada por impostos pesados. Os trabalhadores eram oprimidos por baixos salários e jornadas extensas de trabalho. Campeava o analfabetismo, e a ignorância; havia aguda falta de assistência social por parte do Estado; prevalecia a embriagues e a prostituição. Destacava-se o vício do jogo de cartas, que levava o pouco dinheiro do povo. As trevas espirituais características da Idade Média refletiam-se nas condições morais e sociais das massas.

Essa era a situação que prevalecia em Genebra antes da chegada da Reforma espiritual, a qual deu lugar, em seguida, a reformas sociais, econômicas e políticas.

Avivamento! É sobre isso que diz respeito a necessidade de desenvolvermos de uma contra-cultura brasileira de tolerância zero à corrupção no Brasil. E não sejamos conformados com este mundo, mas sim transformados pela renovação da nossa mente, para que possamos experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12 2).

:: Mariel Marra
Mariel é teólogo e advogado criminalista, pós-graduado em direito público.

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