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Vida Cristã

Vaidade, fama e poder

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Foto: pexels.com

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No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Saindo os homens do Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram. Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra” (Gênesis 11.1-4).

Lembro de uma frase muito repetida por um respeitado professor universitário em meu período como bolsista de graduação. Sempre que ele ouvia algum colega enaltecendo-se por um artigo, prêmio ou viagem, ele retirava-se e pacientemente repetia “Kilvia, o bom bezerro não berra”. A frase era constantemente repetida para que eu me aperfeiçoasse profissionalmente aprendendo a lidar com minha futura vaidade.

Os descendentes de Noé eram inteligentes e vaidosos, imaginavam que se suas obras pudessem ser apreciadas ao longe se tornariam admirados e lembrados pelos demais. Não era apenas a construção de uma cidade forte, era a edificação de uma torre com tecnologia superior ao que era usado na época. Substituíram, de forma inovadora, pedras por tijolos e argamassa por piche. Engenhosa mudança capaz de tornar os idealizadores da obra superiores aos demais e, por isso, dignos de fama.

Tudo é vaidade

A vaidade humana não é algo novo, Salomão já nos exortava que tudo na vida não passa de vaidade. Séculos passam e suas palavras continuam atuais, o ambiente para expor nossa vaidade mudou, a motivação não. Não é mais uma planície em Sinear, são as redes sociais; não são mais tijolos e piche, são postagens e permutas; não é mais o ser e sim o parecer ter. Infelizmente, para muitos a fama virtual é medida pela quantidade de seguidores e “likes”. O esforço tem que torná-los estrelas, levá-los a tocar o céu como a torre de Babel.

A intenção de muitos hoje é “Vamos construir uma CARREIRA, com uma ESTRATÉGIA DE DIVULGAÇÃO que alcance O MAIOR NÚMERO DE SEGUIDORES POSSÍVEL . Assim nosso nome será famoso e não seremos MAIS UM DOS espalhados pela face da terra”.

Na contramão da vaidade

Dinheiro, fama e poder são temperos que dão sabor à vaidade. A máxima dos dias atuais é que o bezerro que berra mais alto e mais cedo tem mais chances de ser ouvido pelos demais. Nesse momento histórico onde a corrida pela fama tem sido tão incentivada, fico imaginando como se dará a iniciativa divina para modificar o berro dos bezerros vaidosos num mundo que busca falar uma mesma língua.

⁃ E se tentássemos fazer diferente?
⁃ E se ao invés de fama, almejássemos servir voluntariamente quem “não fala a nossa língua, não professa a nossa fé”?
⁃ E se o pagamento por nossas ações mais notáveis enchesse nossa alma ao invés da nossa carteira.

Sem fotos, apenas com fatos.
Valeria a pena esse investimento?

:: Kilvia Mesquita

*Kilvia Mesquita é Dra em Economia pela UFMG, Professora Universitária, palestrante e autora do livro “Os 40 ladrões que existem em você: como identificar e superar a autossabotagem financeira”. Siga a escritora em sua rede social para obter dicas de finanças pessoais.

 

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